EFETóquio

A fabricante de veículos Nissan Motor entrou esta quarta-feira com uma ação civil contra o seu ex-presidente Carlos Ghosn no valor de 10.000 milhões de ienes (83,38 milhões de euros), informou a empresa em comunicado.

A ação, movida no Tribunal Distrital de Yokohama, cidade onde está localizada a sede da empresa, pretende "recuperar uma parcela significativa dos danos monetários infligidos à empresa pelo seu ex-presidente como resultado de anos de negligência e atividade fraudulenta", disse o fabricante.

O valor foi calculado com base nos custos incorridos pela Nissan "devido a Ghosn e às suas práticas corruptas", incluindo o uso de várias casas da Nissan fora do Japão, uso privado de aeronaves corporativas, pagamentos à sua irmã, custos relacionados à investigação interna das suas atividades e custos legais relacionados ao caso fora e dentro do território japonês.

O processo civil apresentado hoje está vinculado a alegações de abuso de confiança que pesam sobre o empresário, atualmente foragido da justiça japonesa no Líbano e acusado de uso indevido e apropriação indevida de fundos corporativos.

A Nissan espera que o valor reivindicado "aumente no futuro", uma vez que procura recuperar as multas que deverão ser pagas à Agência de Serviços Financeiros pela alegada declaração imprópria dos salários acordados com Ghosn e "possíveis multas impostas à empresa em processos penais relacionados com a sua má conduta".

Esse caso é independente do processo civil em andamento pela Nissan contra Ghosn nas Ilhas Virgens Britânicas, em agosto de 2019, "onde foram processados pagamentos e transações não autorizadas" relacionados com a propriedade de um iate, entre outros.

"A Nissan intensificou a sua campanha para recuperar os danos do seu ex-presidente após a sua fuga ilegal da justiça", disse a empresa no comunicado, também afirmando que se reservaria o direito de tomar medidas legais separadas "por comentários infundados e difamatórios feitos por Ghosn" após a sua fuga.