EFEGuarda (Portugal)

Portugal quer aproveitar o Ano Santo Compostelano, em 2021, para impulsionar as suas rotas jacobeias, enquanto aumentam as vozes que querem a solicitação da declaração de Património da Humanidade para o Caminho de Santiago português.

O organismo luso-espanhol Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular é o impulsor deste projeto e pediu ao Governo português que dê início ao processo para que o Caminho português seja declarado Património da Humanidade, declaração já obtida pelo Caminho de Santiago francês desde 1993 e o Caminho do Norte Peninsular (2015), explicou hoje à Efe o seu presidente, Xoan Vázquez.

O Caminho de Santiago português, eleito por um quarto dos peregrinos que chegam à Galiza, "estaria mais conservado e melhor promovido" se fosse reconhecido Património Mundial, assegurou o presidente.

Por isso, o Eixo remeteu ao Governo luso "um inventário cidade a cidade" com um relatório do que iria representar a recuperação de algumas zonas.

Consciente da importância turística da rota, o Governo português acaba de anunciar a criação de uma comissão de coordenação para impulsionar o seu desenvolvimento, que vai depender da Direção Geral de Património Cultural e da Secretaria de Estado de Turismo.

Será um organismo similar ao Xacobeo, que gere o Caminho de Santiago em Espanha, segundo Vázquez, que vai homogeneizar a sinalização e impulsionar a criação de infraestruturas porque "há ausência logística, sobretudo de albergues públicos para os peregrinos".

Esta entidade vai certificar todos os percorridos, sinalizá-los e promovê-los ao nível internacional.

Durante o ano passado, dos 327.000 peregrinos que chegaram a Santiago de Compostela, 81.000 utilizaram rotas que partem de Portugal.

O Porto, segundo a Secretaria de Estado de Turismo, foi a segunda cidade de início da peregrinação a Santiago, após a cidade de Sarria.

A aposta lusa por esta alternativa turística começou há uns meses com o lançamento da plataforma "Caminhos da Fé", onde se promovem conjuntamente as rotas do Santuário de Fátima, os ramos do Caminho de Santiago, as judiarias lusas e diferentes templos marianos.

Para a Secretária de Estado de Turismo, Ana Mendes Godinho, "a certidão do Caminho de Santiago português vai reforçar a promoção internacional destes caminhos e a abertura do mapa turístico de Portugal a todo o território".

Por sua parte, a secretária de Estado de Cultura, Ângela Ferreira, ressaltou que a harmonização dos diferentes ramos do Caminho de Santiago vão potencializar a coesão territorial, não só do interior de Portugal mas também ao nível transfronteiriço com Espanha.

Portugal, segundo dados da Universidade de Lisboa, tem 184 paróquias dedicadas ao Santo, além de igrejas, albergues ou hospitais, já que o culto ao apóstolo se popularizou a partir do século XII.

Nas rotas jacobeias portuguesas encontram-se lances como o Caminho Nascente, que parte do sul do Alentejo e se junta no Centro de Portugal com o Caminho de Torres Villarroel, que começa na cidade espanhola de Salamanca.

O Caminho Central é outra das alternativas escolhidas pelos peregrinos que iniciam a caminhada em Lisboa, passando por Coimbra até chegar ao Porto, onde começa propriamente o conhecido como Caminho de Santiago português.

Outras alternativas são o Caminho português da Costa -que parte de Viana do Castelo- ou o Caminho Interior, que sai de Viseu e cruza o norte português até se unir com o Caminho da Via da Prata.

Carlos García