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Desde a alimentação até ao turismo, o mercado halal de produtos e serviços aptos para muçulmanos está em constante crescimento e apresenta um potencial de entre 1.600 e 1.800 milhões de consumidores em todo o mundo que as empresas do sul de Espanha e Portugal podem aproveitar.

Obter uma certificação halal ou até "muslim-friendly" pode abrir a estas empresas as portas ao mundo muçulmano, podendo lançar uma mensagem aos seus potenciais consumidores: "Sei o que fazes, entendo a tua filosofia e estou em sintonia com os teus valores".

Esta oportunidade de negócio centrou nesta quinta-feira um fórum virtual organizado pela Fundação Três Culturas no âmbito do projeto "Mercado Halal", que procura criar vantagens competitivas para empresas da Andaluzia, Algarve e Alentejo.

"Halal é tudo aquilo que nos ajuda a viver melhor, que está permitido e que consideramos que é saudável desde uma perspetiva islâmica", explicou durante o fórum Isabel Romero, diretora do Instituto Halal de Córdoba, uma entidade que certifica os produtos e serviços aptos para o consumo de muçulmanos.

O Instituto Halal já certificou mais de meio milhar de empresas, muitas delas do setor alimentar mas também do turístico, do logístico -como o porto de Algeciras, na região espanhola de Cádiz- e até uma companhia tecnológica.

Procura-se com isto atrair os milhares de milhões de muçulmanos que vivem em todo o mundo, mas com foco especial nos mercados de proximidade: Europa, com 44 milhões, e o norte de África, com outros 200.

"Mais de 2 milhões de muçulmanos atravessam Espanha e Portugal todos os anos. Há um potencial turístico que não está a ser suficientemente atendido", assinalou Romero em declarações à EFE à margem do fórum, onde recordou que estes turistas costumam viajar em famílias de entre 8 e 10 pessoas ou grupos comunitários.

Além disso, Romero explicou que os muçulmanos que passam pela Península Ibérica para chegar ao norte de África já não realizam uma viagem direta: começam a fazer paragens durante o seu trajeto.

Por isso, ter um hotel que se possa adaptar às suas exigências pode atrair estes potenciais clientes, como é o caso do Costa del Sol Hotel, em Torremolinos (Málaga, Espanha), que conta com a certificação 100% halal.

O diretor deste estabelecimento, Julio García Serón, relatou a sua experiência no fórum, onde explicou que os proprietários do hotel são do Kuwait e queriam que os requisitos halal fossem cumpridos.

"As instalações servem, o que é preciso adaptar são os produtos de compra e a

"Las instalaciones sirven, lo que hay que adaptar son los productos de compra y la rastreabilidade", explicou: fazer um menu apto -sem suíno, álcool ou derivados- e oferecer tapetes para as orações, assinalar nos quartos a orientação a Meca ou ter uma sala para rezar em grupo, entre outros.

Embora este hotel tenha a certificação 100% halal, o Instituto reconhece que nos países ibéricos "é muito complicado" que a oferta seja integralmente adaptada a estes requisitos.

Mas pode-se optar por um passo intermédio e obter a etiqueta "muslim-friendly": "Há muitos estabelecimentos que podem ir oferecendo este serviço e ir avançando nele enquanto vão vendo as possibilidades que pode ter para eles", assinalou Isabel Romero.

Começa também a crescer dentro do mercado muçulmano um segmento específico: os "muslim millennials": "Vão ser o futuro, ainda estão a começar muito lentamente a ser o presente", assinalou a diretora do Instituto Halal.

Estes jovens começam a procurar produtos que não tinham tanta importância nas gerações anteriores, como comida elaborada e pratos preparados, que abrem uma nova linha de negócio no mercado halal.

O projeto "Mercado Halal" será desenvolvido até abril de 2022 com um investimento de 946.853 euros, 710.140 dos quais financiados pelo programa INTERREG VA Espanha-Portugal (POCTEP 2014-2020), e prevê, além de fóruns, micro-rotas turísticas e uma plataforma que promova a venda de produtos online e os serviços empresariais halal.

Paula Fernández

Esta crónica faz parte da série "Histórias Transfronteiriças de Coesão Europeia", #HistóriasTransfronteiriças, #Crossborder, um projeto da Agência Efe financiado com o apoio da Comissão Europeia. A informação é responsabilidade exclusiva do seu autor. A Comissão não é responsável da utilização que se possa fazer desta.