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O português Cristiano Ronaldo, avançado da Juventus, está esta segunda-feira no centro da polémica em Itália devido à fúria com que abandonou o terreno de jogo este domingo depois de um encontro do campeonato ganho contra o Génova, quando, dececionado por não marcar, atirou a sua camisola e deu murros na parede do balneário antes de regressar a casa.

Apesar da vitória da sua equipa, Cristiano pareceu muito tenso. Não conseguiu marcar, falhou uma ocasião clara -um remate ao poste que deu no golo do espanhol Álvaro Morata- e saiu do campo frustrado.

A sua camisola acabou no relvado do Allianz Stadium, embora ao que parece foi tirada e lançada em resposta a um pedido de um apanha-bolas, mas a sua profunda raiva foi soltada no balneário.

É o que assegura o jornal italiano "La Gazzetta dello Sport", que informa que o português deu murros na parede do balneário e foi para casa sem falar com os outros colegas.

Cristiano esteva também irritado durante o encontro, criticando algumas jogadas dos seus colegas, apesar da vitória relativamente confortável da sua equipa (3-1).

Reações que alimentam ainda mais as especulações sobre o futuro de Cristiano Ronaldo, que poderá decidir sair da Juventus no próximo verão, apesar de ter contrato até 30 de junho de 2022.

A atual época foi possivelmente a mais difícil para CR7. Habituado a lutar por ganhar tudo, e em muitos casos consegui-lo, este último ano trouxe-lhe poucas satisfações.

A Juventus foi eliminada nos oitavos da Liga dos Campeões pelo segundo ano consecutivo, pelo Porto, e Cristiano voltou a não conseguiu marcar na fase de eliminação direta.

Em casa, a "velha senhora" está cada vez mais longe do título, o primeiro campeonato que não irá conseguir depois de nove anos consecutivos.

A equipa treinada por Andrea Pirlo está em terceiro e a 12 pontos do líder Inter de Milão, pelo que o seu principal objetivo é agora acabar entre os quatro primeiros para se classificar à próxima Liga dos Campeões.

O quinto lugar do Nápoles, o que enviaria a Juventus para a Liga Europa, um fracasso económico e desportivo, está a apenas três pontos, e na próxima jornada Cristiano e colegas visitam a exigente Atalanta.

O triunfo conseguido na Supertaça italiana e a final da Taça de Itália marcada para maio justamente contra a Atalanta não são suficientes para satisfazer a fome de êxito de Cristiano.

Apesar de tudo, é o melhor marcador da Série A com 25 golos, mais quatro que o belga Romelu Lukaku, avançado do Inter.

Acabar o duelo contra o modesto Génova sem ver o seu nome no marcador fez disparar o seu nervosismo e provou uma reação que não passou despercebida na imprensa italiana. Pirlo, de imediato, minimizou a situação.

"Estava chateado porque não conseguiu marcar, é normal que alguém como ele queira sempre melhorar. Os campeões devem sempre ter objetivos de equipa e pessoas. Hoje teve a possibilidade de marcar, não conseguiu, é normal que um campeão queira sempre marcar", disse o treinador da Juventus na conferência de imprensa depois do jogo.

"Não acredito que será multado, estava chateado, mas o jogo acabou e é normal que tenha algum nervosismo", conclui.

Segundo a imprensa italiana, Cristiano só está disposto a ficar na Juventus se o clube lhe garantir um projeto desportivo à sua altura, com contratações de primeiro nível para competir por todos os troféus até ao final.

Contudo, os resultados negativos desta época, junto à crise causada pela pandemia de coronavírus, impedem neste momento a Juventus de realizar grandes gastos.

Por Andrea Montolivo