EFEGenebra

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou hoje que ainda está em mãos da humanidade conter a pandemia da COVID-19, que se aproxima já dos 20 milhões de afetados e das 750.000 mortes.

"Há surtos verdes de esperança, e para qualquer país, região, cidade ou povo ainda não é tarde para dar a volta à pandemia", ressaltou Tedros na conferência de imprensa bissemanal do organismo sediado em Genebra.

LEVE ALÍVIO NA CURVA DE CONTÁGIOS DIÁRIOS

A semana passada foi a primeira desde meados de maio em que não se bateram recordes de infeções diárias (o máximo histórico foi de quase 300.000 infeções num dia, a 1 de agosto), pelo que a curva global de contágios semanais baixou pela primeira vez depois de meses de subida contínua.

O especialista etíope assegurou hoje que por trás dos números de contágios e vítimas mortais "há grandes doses de dor e sofrimento" num "momento difícil para o mundo", mas ressaltou que há exemplos em todos os continentes que demonstram que a pandemia pode ser contida.

"Países na bacia do Mekong (sudeste da Ásia), Nova Zelândia, Ruanda e muitos países no Caribe ou Pacífico conseguiram suprimir o vírus antecipadamente", disse Tedros.

O diretor-geral da OMS acrescentou que "França, Alemanha, Coreia do Sul, Espanha, Itália ou Reino Unido sofreram grandes surtos" mas que conseguiram travá-lo com a adoção de determinadas ações, que estão a dar continuidade com a chegada de novos surtos.

"As cadeias de transmissão foram quebradas com a combinação da identificação rápida de casos, um complexo rastreamento de contactos, adequado tratamento de pacientes, distanciamento físico, uso de máscaras, higiene regular das mãos ou tossir longe dos outros", resumiu.

MEDIDAS LOCAIS PARA EVITAR CONFINAMENTOS NACIONAIS

Sobre os novos surtos em regiões como a Europa, o diretor de Emergências de Saúde da OMS, Mike Ryan, acrescentou que os governos têm agora de conceber "uma resposta tão localizada quanto possível" para evitar ter de recorrer a medidas mais gerais como os confinamentos, "que criaram muitos problemas económicos".

"Vão-se registar surtos mesmo que a presença do vírus diminua, e a ação sobre eles dependerá do que foi investido na identificação ou rastreio de casos", afirmou.

A diretora técnica da OMS para a resposta à COVID-19, a americana Maria Van Kerkhove, apelou não só aos governos mas também aos cidadãos para reduzir a transmissão: "as comunidades devem entender a função que lhes corresponde e que devem gerir os seus próprios riscos".

"Se lhes for pedido que fiquem em casa, devem fazê-lo, e se tiverem de sair, viajar em transportes públicos, etc., devem colocar a sua máscara ou seguir as recomendações. Temos de evitar grandes multidões e ser prudentes", salientou.

Van Kerkhove recordou também que 15% a 20% das pessoas infetadas no planeta são responsáveis por até 80% dos contágios.

Perante a eminente chegada do novo ano letivo em muitos países, Tedros disse que "todos queremos que as escolas reabram, mas para o fazermos temos de garantir que os estudantes e os funcionários estão seguros.

MAIS FUNDOS PARA A INVESTIGAÇÃO DE VACINAS

O máximo responsável da OMS recordou que o organismo e as entidades de investigação com as quais trabalha requerem 100.000 milhões de dólares para o desenvolvimento de vacinas, tratamentos e diagnósticos contra a COVID-19, mas por enquanto apenas receberam um décimo desse financiamento.

Esses 100.000 milhões "parecem muito dinheiro, mas é pouco comparado com os 10 biliões de dólares que os países do G20 investiram em estímulos fiscais para responder às consequências da pandemia", ressaltou.

Sobre a investigação de vacinas contra a COVID-19, o epidemiólogo da OMS Bruce Aylward destacou na mesma conferência de imprensa que o desafio das que estão em investigação não é só assegurar que estimulem o sistema imunológico humano, mas também garantir que funcionem bem em pessoas de todas as idades.

Por Antonio Broto