EFENações Unidas

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu esta quinta-feira o alívio da dívida de todos os países em desenvolvimento ou de rendimentos médios que o precise como consequência da crise causada pelo coronavírus e o impulsionamento de um plano de recuperação coordenado à escala global.

Guterres falou na abertura de uma cimeira virtual em que participaram várias dezenas de chefes de Estado e de Governo para discutir as novas necessidades de financiamento das políticas de desenvolvimento no contexto da pandemia.

As Nações Unidas propuseram procurar ações coletivas para responder com urgência em seis áreas, entre elas o problema da dívida soberana.

O diplomata português advertiu que as consequências económicas da COVID-19 ameaçam causar uma onda de crises de dívida que complicariam a resposta à doença e atrasariam o progresso do desenvolvimento durante anos.

Na opinião de Guterres, a suspensão temporária do serviço da dívida dos países mais pobres já acordada pelo G20 é "um primeiro passo", mas esse tipo de medidas devem ser alargadas a qualquer nação em desenvolvimento ou de rendimentos médios que o solicite por ter dificuldades em financiar-se a si própria nos mercados.

Além disso, a ONU considera necessário encontrar "formas criativas e incentivos" para que os credores privados, que detêm uma grande parte da dívida soberana dos países em desenvolvimento, também participem em programas de ajuda.

Guterres pediu também medidas para melhorar a liquidez nas economias emergentes face à fuga de capitais desencadeada pela pandemia e para lançar um sinal claro de confiança na recuperação dos investimentos na área do desenvolvimento sustentável, que estão a sofrer um grande revés com a crise.

O combate aos fluxos financeiros ilegais, incluindo a evasão fiscal e o branqueamento de capitais, deve também ser uma prioridade, defendeu o chefe da ONU, que também instou a assegurar que a recuperação da pandemia tenha como resultado um mundo melhor.

"A COVID-19 expôs e exacerbou profundas desigualdades e injustiças às quais devemos responder, incluída a desigualdade de género", assinalou Guterres.

"Todos os nossos esforços devem centrar-se na construção de vias sustentáveis e resilientes que nos permitam não só derrotar a COVID-19 como combater a crise climática, reduzir a desigualdade e erradicar a pobreza e a fome", ressaltou.

Guterres salientou a necessidade de responder "com unidade e solidariedade", deixando claro que uma recuperação adequada da pandemia irá custar dinheiro, mas não o fazer irá custar muito mais.