EFEParis

Os pais de Vincent Lambert, o tetraplégico francês em estado vegetativo há mais de uma década e que faleceu nesta quinta-feira, denunciaram que a sua morte foi um "crime de Estado".

"Vincent morreu, assassinado por razão do Estado e por um médico que renunciou ao seu juramento hipocrático", declararam em comunicado divulgado por dois dos seus advogados, Jean Paillot e Jérôme Triomphe.

Nessa nota, os pais de Lambert, ex-enfermeiro de 42 anos, disseram que ele foi "condenado por estar incapacitado".

Lambert ficou tetraplégico e totalmente incapacitado após um acidente de trânsito em 2008, pouco depois do nascimento da sua filha, e desde 2011 os médicos tinham descartado toda possibilidade de melhora.

"Hoje perdemos um pouco da nossa humanidade. (...) É momento de luto e recolhimento. Também de meditar sobre este crime de Estado", concluíram os pais de Lambert no comunicado, no qual dizem que não vão fazer mais declarações.

O sobrinho do tetraplégico, François Lambert, informou à imprensa que o seu tio morreu às 8h24 (hora local) desta quinta-feira.

A equipa médica liderada pelo médico Vincent Sánchez iniciou o protocolo de eutanásia no dia 2 de julho, quatro dias depois que o Tribunal Supremo reabriu essa possibilidade ao anular uma sentença anterior da Corte de Apelação e fechar a porta para a possibilidade de novos recursos.

Segundo a emissora "France Info", o corpo vai ser submetido a uma autópsia, dentro da investigação preliminar iniciada depois da denúncia apresentada na sexta-feira passada pelos pais contra Sánchez e a sua equipa por "tentativa de homicídio voluntário".