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Os países do sul e este da União Europeia (UE) sofreram com "maior dureza" a perda de empregos durante a pandemia de coronavírus, e os seus habitantes mostram-se mais preocupados pelo seu futuro que os outros vizinhos comunitários.

Tal é refletido por um estudo publicado esta segunda-feira pelo Eurofund, uma agência da UE radicada em Dublin, que analisou entre os passados abril e julho a situação laboral e condições de vida de 87.477 cidadãos.

Entre os que indicaram do total que tinham um emprego antes da pandemia, 8% assinalou que está agora no desemprego, uma percentagem que sobre até 16% em Espanha -primeira nesta lista-, 15% no Chipre e 14% na Grécia.

Na cauda dos 27 Estados membros estão Itália (7%), Alemanha (5%), Eslováquia, Malta e Países Baixos (4%), e Suécia (3%).

Durante o período de estudo, 37% do total enfrentou reduções nas suas horas de trabalho. Os setores mais afetados foram o comércio-turismo e a construção (52%), enquanto a administração pública e saúde (21% e 23%) não sofreu o mesmo nível de impacto.

Neste clima de incerteza, 10% dos participantes considerou em julho que é "muito provável" que percam o seu trabalho nos seguintes três meses, menos 5% que em abril.

Búlgaros e gregos, com 20% e 15%, respetivamente, mostraram-se mais pessimistas a respeito do seu futuro laboral que, por exemplo, os dinamarqueses (4%), enquanto que 14% dos portugueses e romenos e 13% dos espanhóis acreditavam em julho que iam para o desemprego nos três meses seguintes.

Contudo, a população comunitária, no geral, virou rumo a um otimismo moderado entre abril e julho, pois a proporção de pessoas que acreditava que a sua situação ia piorar nos três meses seguintes caiu de 38% a 25%, respetivamente.

Esta tendência, explica o relatório, é "visível" em todos os países, exceto na Dinamarca, onde subiu 1%, enquanto em Espanha, por exemplo, 32% opinou em julho que a sua situação financeira ia piorar no trimestre seguinte, frente ao 49% de abril, durante o período de confinamento mais estrito.

Ao inverter a pergunta, o Eurofund detetou que 12% do total confiou em julho que a sua situação financeira ia melhorar nos três meses seguintes, mais 4% que em abril, um aumento que foi particularmente "significativo" em novo países, como Espanha, onde passou de 6% a 11%.

O relatório destaca que a implantação do teletrabalho e a "adaptabilidade de certos setores ao trabalho remoto" ajudou a mitigar a destruição de emprego num mercado laboral que sofreu um "choque sem precedentes", onde uma em cada dez pessoas, pelo menos, perdeu o seu emprego por culpa da pandemia.

Os mais afetados, precisa o estudo, são os trabalhadores independentes, os mais jovens e os com menos estudos.

A sondagem sugere que embora a situação tenha melhorado entre abril e julho, um em cada três trabalhadores ainda sofre cortes no seu horário e a insegurança laboral continua alta, sobretudo entre os de meia idade e os "com contratos de durações determinadas".

"Apesar de algumas melhorias relacionadas com a abertura parcial da economia, o impacto social e económico da COVID-19 continua a ser devastador para muitos setores e cidadãos de toda a Europa", observou em comunicado o diretor-executivo do Eurofund, Juan Menéndez-Valdés.

Os efeitos da crise sanitária, precisou, estão a ser especialmente negativos em grupos "tradicionalmente desfavorecidos" no mercado laboral, como as mulheres e os jovens, assim como entre os trabalhadores independentes.

"Agora que enfrentamos sinais de uma segunda vaga, será crucial que as respostas da UE e de cada país continuem encaminhadas a apoiar o emprego, prevenir as dificuldades económicas e evitar um aumento de desigualdades novas e tradicionais", concluiu Menéndez-Valdés.