EFESão Paulo

O Pantanal, o maior pântano do mundo, partilhado pelo Brasil com Paraguai e Bolívia, reportou este mês 6.048 incêndios, o que representa o maior número mensal de focos de fogo já registado na história do bioma, informaram fontes oficiais esta quinta-feira.

Os focos de incêndio identificados entre os dias 1 e 23 de setembro ultrapassaram os 5.993 registados nos 30 dias de agosto de 2005, que era até agora o recorde de fogos detetados num só mês, de acordo com os dados do estatal Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

A respeito de setembro de 2019, quando foram identificados 2.887 focos de incêndio em 30 dias, os fogos já tinham aumentado 109%.

O Pantanal acumula ao longo desde ano 16.201 incêndios frente aos 12.536 reportados em todo o ano de 2005, até então o pior na sua história.

As chamas destruíram já cerca de 22% (mais de 3 milhões de hectares) do bioma.

Segundo especialistas, os incêndios no Pantanal durante esta época são habituais, mas este ano houve fatores que intensificaram a propagação do fogo, como a forte seca -a mais intensa em acima de quatro décadas-, as altas temperaturas típicas da época, as alterações climáticas e a força do vento.

Contudo, organizações ecologistas denunciam que grande parte dos fogos foram provocados por donos de fazendas e colonos interessados em ampliar as suas terras para cultivo e gado.

Considerado um dos ecossistemas mais ricos do mundo em biodiversidade de flora e fauna, o Pantanal abriga cerca de 600 espécies de aves, 124 de mamíferos, 80 tipos de répteis, 60 de anfíbios e 260 de peixes de água doce.