EFELisboa

Pedro Pauleta, diretor das seleções jovens da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e ex-jogador do Deportivo da Corunha ou Paris Saint-Germain (PSG), diz que a Fase Final da Liga dos Campeões em Lisboa vai ser "a hora de jogadores que fazem a diferença, como João Félix", o qual conhece muito bem.

Durante uma entrevista com a EFE, Pauleta confessa que gostaria que o PSG, equipa na qual acabou a carreira, ganhasse esta edição, embora não esqueça que há futebolistas como os seus compatriotas Cristiano Ronaldo e Bernardo Silva ou Messi e Neymar "que podem fazer a diferença".

Pauleta, desde o seu cargo de diretor federativo, considera que Lisboa reúne todas as condições para realizar com sucesso a Fase Final da Liga dos Campeões de 12 a 23 de agosto, e acredita que tanto os portugueses como os que visitem estes dias a capital portuguesa estarão em segurança.

Pergunta: São esperados cerca de 15.000 adeptos de diferentes clubes.

Resposta: Inquieta-nos um pouco. Se vêm mais pessoas, melhor, mas o risco é mais elevado. As autoridades estão pendentes disso e sabem como se pode controlar a situação o melhor possível e sabem da importância dessa competição para o nosso país. Mas o mais importante é a segurança de toda a gente que está em Portugal e os que nos visitem.

P: Cada clube vai estar numa bolha.

R: Os oito centros de treino de cada clube estão nos arredores de Lisboa, num raio de uns 30-40 quilómetros. Todas as equipas vão estar muito bem instaladas, não só nos centros como nos hotéis de Lisboa.

P: Precisamente, o Atlético de Madrid vai estar no Seixal, centro de treino do Benfica. João Félix regressa às suas origens.

R: O João tem a sorte de regressar a onde fez a sua formação, para ele vai ser muito importante. Conheço o João Félix muito bem, esteve connosco nas seleções jovens e na sub-21. É claramente um jogador que marca a diferença pela sua idade, qualidade e personalidade. Ainda tem potencial para crescer.

P: É o momento de João Félix?

R: Acho que esta Liga dos Campeões é diferente. Os oito clubes vão pensar que pode ser uma oportunidade, já que a um só jogo tudo pode acontecer. E todos os clubes e jogadores vêm-no como uma oportunidade. É hora dos jogadores que marcam a diferença.

P: Presumo que o seu coração vai estar com o PSG.

R: É o clube que gostaria que ganhasse, é o clube que está no meu coração, tenho uma união com ele muito forte, porque faço muitas coisas com o PSG. Um dia vai ganhar esse troféu, talvez seja este ano, porque tem jogadores de grande qualidade e têm fome de ganhar.

P: Cristiano Ronaldo.

R: O Cristiano é dos jogadores que a qualquer momento pode fazer a diferença, pode ganhar o jogo e pode tornar a Juventus em vencedora. E também há outros que fazem a diferença: Messi, Neymar, João Félix ou Bernardo Silva, que é um fenómeno como jugador e ser humano.

P: O Real Madrid.

R: Com Zidane, o Real Madrid é ainda muito mais forte. É o maior clube do futebol. Um treinador com carisma que ganha sempre. O Real Madrid é um grande favorito.

P: O que vai Lisboa oferecer nesta edição?

R: Clima, alimentação, simpatia das pessoas e segurança face ao gravíssimo problema que atravessamos.

P: O que nos pode contar do seu trabalho nas seleções jovens de Portugal?

R: As seleções jovens têm a sorte de que há clubes em Portugal que trabalham muito bem a formação. E nós beneficiamos muito do trabalho de clubes como Benfica, Porto, Sporting, Braga ou Vitória de Guimarães. Com as seleções fazemos a parte final, o complemento.

P: E como estão as seleções, sem atividade desde março.

R: Agora ninguém sabe como os jogadores vão chegar ou se as competições serão retomadas em setembro. São seis meses sem jogar futebol. Mas é igual para todos. Se os problemas forem resolvidos, vamos rapidamente recuperar o tempo perdido.

P: A Fundação Pauleta trabalha há vários anos em projetos sociais para os Açores e tem uma escola de futebol.

R: Sim, a escola foi criada em 2004 e tem um complexo desportivo com dois campos de futebol, bancadas e ginásio, e forma 350 crianças de 3 a 17 anos. É um projeto social que forma parte da Fundação Pauleta para ajudar as 9 ilhas dos Açores. Não só formamos crianças como jogadores, mas sobretudo como pessoas.

Por Carlos García