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O chefe do Executivo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, e o da região da Catalunha, o soberanista Quim Torra, vão esta quarta-feira com posições antagónicas à primeira reunião da mesa de diálogo bilateral para resolver as tensões independentistas nessa região.

O importante é sentar-se a falar, segundo o Governo espanhol, sempre dentro os limites das leis, mas as autoridades regionais catalãs fazem questão de propor assuntos como o "direito à autodeterminação", não recolhido pela Constituição, e a "amnistia" dos nove presos condenados a penas de prisão em outubro passado devido ao processo independentista ilegal de 2017.

Essa mesa "entre governos" -o espanhol e o catalão- foi decidida pelos socialistas espanhóis e o partido independentista catalão ERC (que governa em coligação com Torra) para resolver o "conflito político" na Catalunha.

Esse acordo foi fundamental para que o ERC (esquerda republicana independentista) facilitasse, com uma abstenção, a investidura de Sánchez no Congresso como presidente do Governo espanhol a 7 de janeiro passado.

O Partido Socialista ganhou as eleições parlamentares de 10 de novembro de 2019, mas em minoria, de modo que Sánchez precisou do voto favorável ou pelo menos a abstenção -é o caso do ERC- de outros grupos políticos para voltar a ser chefe do Executivo nacional.

OS CONSERVADORES RECUSAM A MESA

Sánchez e Torra, acompanhados pelas suas equipas, vão encontrar-se hoje na sede da Presidência do Governo espanhol, em Madrid, no meio de uma forte oposição do conservador Partido Popular (PP), Vox (extrema-direita) e Ciudadanos (liberais).

Nesta quarta-feira, num frente a frente parlamentar, o líder do PP, Pablo Casado, acusou Sánchez de abrir uma mesa do "desmanchar da soberania nacional e da igualdade territorial" de Espanha, em alusão às pretensões dos secessionistas catalães.

Sánchez, por sua vez, criticou o "fiasco" e o "falhanço" que os conservadores deixaram na Catalunha quando governaram Espanha entre finais de 2011 e meados de 2018, antes que os socialistas.

Num discurso posterior, o presidente do Governo espanhol disse que vai à mesa de diálogo com "o melhor dos ânimos e dos espíritos" e com um destino: "O reencontro entre catalães e o reencontro entre Catalunha e o conjunto" de Espanha.

Antes de viajar a Madrid desde Barcelona, Torra reiterou hoje que a delegação que encabeça vai defender "os seus princípios, que são o exercício do direito à autodeterminação e a amnistia".

Uma das polémicas desta primeira reunião gira à volta da composição da mesa, já que Sánchez estará acompanhado por membros do seu governo, enquanto o presidente catalão vai estar com conselheiros do seu gabinete e vários deputados regionais independentistas.