EFEJerusalém

A empresa israelita NSO Group descreveu como "frágil" a investigação que envolve o seu software Pegasus na espionagem de ativistas, políticos e nomes proeminentes, incluindo pessoas próximas do jornalista saudita Jamal Khashoggi.

Questionada pela Efe sobre os Governos aos quais este software foi vendido, um porta-voz remeteu para o comunicado oficial, publicado este domingo, no qual se rejeita a informação obtida pela Forbidden Stories e a Amnistia Internacional (AI) publicada no mesmo dia pelo Washington Post.

De acordo com a investigação, pelo menos 37 contactos de uma lista de 50.000 telemóveis foram infiltrados com o programa informático, que terá conseguido chegar a jornalistas, defensores dos direitos humanos e políticos em países como o México, Índia, Hungria e Marrocos.

Terão sido identificados 1.000 contactos, entre os quais 65 altos funcionários de empresas, 85 ativistas de direitos humanos, 189 jornalistas e mais de 600 políticos, incluindo chefes de Estado e de Governo.

"Os editores decidiram avançar com esta história, mesmo depois de se ter tornado claro que as suas fontes anónimas os tinham induzido em erro, provavelmente intencionalmente", acusou a empresa.

O Washington Post e os outros meios de comunicação não puderam averiguar qual era exatamente o objetivo da lista de 50.000 nomes, a origem da mesma e quantas pessoas foram alvo de espionagem.

"Como o NSO disse anteriormente, a nossa tecnologia não esteve associada de todo ao hediondo assassinato de Jamal Khashoggi. Podemos confirmar que a nossa tecnologia não foi utilizada para ouvir, monitorizar, seguir ou recolher informações sobre ele ou sobre os membros da sua família", indicou o grupo no comunicado.

A empresa já tinha sido antes assinalada por ter vendido o spyware a países com défices democráticos, e alguns deputados israelitas tentaram em 2016 proibir legalmente as suas licenças de exportação.

O Pegasus foi acusado em 2019 de facilitar a espionagem de 1.400 pessoas, incluindo vários políticos catalães, explorando uma vulnerabilidade do WhatsApp para se infiltrar nos telefones.

"Mantemos as nossas declarações anteriores de que os nossos produtos, vendidos a Governos estrangeiros examinados, não podem ser utilizados para conduzir uma vigilância cibernética dentro dos Estados Unidos, e a nenhum cliente estrangeiro foi concedida tecnologia que lhe permita aceder a telefones com números americanos", indicou a empresa esta segunda.

Os Governos ou agências de segurança que utilizaram o Pegasus para se infiltrarem nos telefones de jornalistas, ativistas e outros políticos terão supostamente violado a licença de uso criada pelo NSO Group.

A companhia assegurou que "vai continuar a investigar todas as denúncias credíveis de uso indevido e tomar as medidas adequadas com base nos resultados destas investigações", o que inclui "apagar o sistema de um cliente".

O Pegasus foi concebido para visar criminosos e terroristas e está restrito a um número limitado de Governos e agências governamentais.

"O NSO Group está numa missão para salvar vidas, e a empresa irá executar fielmente esta missão sem se deixar intimidar, apesar de toda e qualquer tentativa contínua de a desacreditar por motivos falsos", defendeu a empresa.