EFELos Angeles (EUA)

O tenor espanhol Plácido Domingo disse hoje num comunicado enviado à Efe que "aceita toda a responsabilidade das suas ações", após "vários meses" de reflexão, e pediu perdão "pela dor causada" a todas as mulheres que o acusaram de abuso sexual antes da sua demissão como diretor-geral da Ópera de Los Angeles.

"Nos últimos meses, tirei algum tempo para refletir sobre as acusações que várias das minhas colegas fizeram contra mim. Eu respeito que estas mulheres finalmente se tenham sentido confortáveis o suficiente para falar e quero que elas saibam que lamento verdadeiramente pela dor que lhes causei. Aceito total responsabilidade pelas minhas ações", disse o artista no comunicado.

Domingo, que inicialmente negou as acusações, disse que "agora" entende "que algumas mulheres possam ter tido medo de se expressar honestamente por preocupação de que as suas carreiras fossem afetadas negativamente".

"Embora essa nunca tenha sido a minha intenção, ninguém deveria ter-se sentido dessa maneira", disse o tenor minutos depois de vários meios de comunicação americanos publicaram que uma investigação interna do sindicato de artistas musicais dos EUA (American Guild of Musical Artists) terá considerado Domingo culpado de mais de uma dúzia de casos de abuso sexual.

A Efe contactou a equipa de Domingo para conhecer o vínculo das supostas investigações com a sua declaração após vários meses de silêncio, embora, pelo momento, não tenha conseguido resposta.

Em agosto, quando saíram à luz os primeiros testemunhos de mulheres que tinham trabalhado com Domingo e afirmaram ter sofrido abuso sexual, o artista disse que acreditou "sempre" que todas as suas "interações e relações" com mulheres eram "bem-vindas e consensuais".

No entanto, depois de renunciar ao cargo de diretor-geral da Ópera de Los Angeles, na sua nova declaração de hoje Domingo disse que está "comprometido" em que haja uma "mudança positiva na indústria da ópera para que mais ninguém tenha essa mesma experiência".