EFERecife (Brasil)

A Polícia Federal brasileira desmantelou esta quinta-feira uma rede, integrada por funcionários públicos, empresários e políticos, que desviava recursos para combater a pandemia de coronavírus em oito estados e na capital Brasília, segundo informou o organismo.

A "Operação Virion", nome que alude a uma das fases do vírus, mobilizou no início da manhã 150 agentes federais e procuradores da Controladoria Geral da União para executar 36 ordens de detenção e buscas em repartições públicas e empresas privadas.

A operação foi realizada simultaneamente na Bahia (nordeste), Goiás e no Distrito Federal de Brasília (centro), Minas Gerais (sudeste), Rio Grande do Sul e Santa Catarina (sul) e Amazonas, Pará e, principalmente, Roraima (norte).

A rede, de acordo com a informação, cometia fraudes na licitação de compras de produtos e serviços durante a pandemia da COVID-19, que deixou no país mais de 104.000 mortos e quase 3,2 milhões de casos confirmados.

Os investigadores suspeitam que foram desviados cinquenta milhões de reais (cerca de 9,1 milhões de dólares) na aquisição de "insumos médicos, equipamentos hospitalares básicos, ventiladores, testes rápidos de diagnóstico, material informativo impresso e leitos em hospitais particulares".

A situação mais grave, segundo a Polícia, ocorreu no estado amazónico de Roraima, fronteiriço com a Venezuela, onde o ex-secretário da Saúde Francisco Monteiro e o deputado regional Jefferson Alves articularam a fraude nos preços negociados e recebiam pagamentos das empresas que vendiam os insumos.

Alves tornou-se conhecido em fevereiro deste ano num vídeo que circulou nas redes sociais onde é visto a utilizar uma motosserra para abrir caminho num bloqueio de protesto feito por um grupo de indígenas numa estrada que liga Manaus e Boa Vista, as duas principais capitais regionais da Amazónia.

De acordo com as autoridades, a rede aproveitava-se do estatuto de emergência decretado por estados e municípios, que permitem as compras sem todas as exigências de licitação, e verificou-se "que os processos não seguiam uma ordem cronológica" para beneficiar, supostamente, os negócios de maior interesse para o grupo.