EFELisboa

O rei Felipe VI de Espanha e o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, advogaram esta segunda-feira em Lisboa pela promoção da cooperação entre ambos países na luta contra as doenças oncológicas durante a inauguração de um inovador centro de investigação e tratamento do cancro do pâncreas.

"Europa e, dentro dela, Portugal e Espanha, partilham objetivos claros na luta contra o cancro do pâncreas", disse o monarca espanhol durante a inauguração do Botton-Champalimaud Pancreatic Cancer Centre, acompanhado pela rainha Letizia e pelo presidente português.

Os reis chegaram hoje a Lisboa com a ministra da Saúde espanhola, Carolina Darias, e estiveram num almoço privado com Marcelo Rebelo de Sousa em Cascais antes de visitarem as instalações da Fundação Champalimaud.

Durante a inauguração, o rei e Rebelo de Sousa mostraram a sua extraordinária sintonia alternando intervenções em português e espanhol.

Marcelo Rebelo de Sousa destacou os "vínculos históricos que a democracia das duas pátrias irmãs têm vindo a fortalecer" e mostrou a sua convicção de que "o conhecimento, a ciência, a qualificação sem discriminação humana ou barreiras xenófobas torna os povos mais desenvolvidos e mais justos".

"Com vossa excelência e na sua pátria, a rainha e eu sempre nos sentimos em casa", afirmou Felipe VI na presença do primeiro-ministro português, António Costa, e de vários membros do seu Gabinete.

INVESTIGAÇÃO E COOPERAÇÃO

"Embora esteja claro que a investigação é fundamental contra o cancro, a colaboração em si também é", disse o rei, seguro que "é a cooperação mais próxima que nos permitirá continuar a avançar" na luta contra a doença.

O centro inaugurado esta segunda "representa o firme empenho de Portugal -e o espírito dos nossos dois países- com o progresso e o bem-estar das pessoas", acrescentou.

"A aliança entre Espanha e Portugal neste âmbito não é nova", recordou o rei, aludindo à participação ativa dos dois países no Plano Europeu de Luta contra o Cancro, aprovado em fevereiro, e em outros fóruns internacionais de investigação.

"Esta é sem dúvida uma excelente ocasião para reconhecer e renovar as nossas alianças", ressaltou.

A "fraternidade" entre Espanha e Portugal, sublinhou por sua parte o presidente português, traduz-se no centro inaugurado hoje, "o resultado da generosa doação" (50 milhões de euros) dos Bottons, "dois espanhóis universais" a quem condecorou com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito.

INOVAÇÃO CONTRA A EPIDEMIA SILENCIOSA

O centro Botton-Champalimaud conta com a tecnologia mais avançada, 200 investigadores e áreas de intervenção cirúrgica e cuidados intensivos.

É único no mundo na investigação do cancro do pâncreas e replica o modelo inovador iniciado pela Fundação Champalimaud em 2010, que aproxima ciência e pacientes.

São 37.000 metros quadrados nos quais há uma clínica, um laboratório de investigação de última geração e um centro cirúrgico com 25 quartos e 15 de cuidados intensivos.

A Fundação Champalimaud, fundada em 2004, é uma referência europeia em neurociências e cancro, combina investigação e atividade clínica e conta no seu conselho de curadores com a rainha Sofía de Espanha desde 2019.

A instituição conta com uma dezena de investigadores, cinco deles chefes de grupos em áreas como cancro e biologia de células-tronco, aptitude celular, computação e dinâmica de circuitos, comportamento coletivo e laboratório de patologia molecular e experimental.

Conhecido como a "epidemia silenciosa", o cancro do pâncreas é a quarta causa de morte por cancro na Europa e estima-se que se possa tornar nos próximos anos na segunda.

O Champalimaud Center for the Unknown tem um acordo com a Fundación Reina Sofía, presidida pela mãe de Felipe VI, para avançar na investigação de doenças neurodegenerativas como Parkinson e Alzheimer.

Antes de deixarem a Fundação, os reis ouviram a fadista portuguesa Teresa Salgueiro e o tenor espanhol Josep Carreras, que há décadas luta contra o cancro na fundação que leva o seu nome.