EFELisboa

O vínculo económico entre Espanha e Portugal não parou de crescer nos últimos anos, a nível comercial e de investimentos, como explicou hoje o presidente da Agência para o Investimento e o Comércio Exterior de Portugal (AICEP), Luís Filipe de Castro Henriques.

"Há boas relações entre ambos. Espanha é um país prioritário para Portugal a todos os níveis", assegurou à EFE Castro Henriques em vésperas da XXIX cimeira ibérica que se celebra na próxima segunda-feira e terça-feira, sob a presidência do espanhol Mariano Rajoy e o português António Costa.

Os dois países ibéricos tiveram que enfrentar na última década uma crise da qual as suas relações saíram reforçadas já que, de volta ao crescimento económico desde finais de 2013 em ambos casos, os intercâmbios comerciais continuaram numa tendência ascendente nos dois sentidos.

As exportações de bens e serviços de Espanha para Portugal registaram um crescimento anual de 3,5% no período 2012-2016, uma percentagem que é ainda maior no caso das vendas de produtos portugueses ao seu vizinho espanhol, que aumentaram 6,8%, segundo dados do Banco de Portugal.

"Em Portugal há uma mudança clara de paradigma, de uma economia centrada no seu mercado interno para outra cada vez mais focada para os mercados externos. Antes de 2010 exportava menos de 30% do PIB. A partir de 2013, exportava mais de 40%", detalhou o presidente da AICEP.

Nesta estratégia, Espanha é um ator crucial para Portugal, já que é o seu principal parceiro comercial tanto a nível de exportações como de importações.

As compras realizadas pelos espanhóis de bens e serviços portugueses superaram os 16.200 milhões de euros no ano passado e cresceram mais de 5,7% em 2015.

No sentido contrário, Portugal foi em 2016 o quinto principal cliente de Espanha, com compras de quase 22.400 milhões de euros, apenas superado por quatro países com entre seis e oito vezes mais população: França, Alemanha, Itália e Reino Unido.

Além disso, produziu-se uma "integração cada vez maior das cadeias de valor", como explica Castro Henriques, pelo que o comércio em ambas as direções se concentra quase nos mesmos setores, como o transporte, o setor agrícola ou os metais.

Ao mesmo tempo, o reforço dos investimentos no outro lado da fronteira também reflete o bom momento das relações hispano-lusas com o setor bancário, por exemplo.

As entidades espanholas controlam mais de um quarto do sistema bancário de Portugal, presença reforçada com o golpe que deu o Caixabank este ano ao passar a controlar a quinta maior entidade lusa, o Banco BPI.

Esta operação originou também a entrada da Fundação Bancária "a Caixa" em Portugal, com um orçamento de 50 milhões anuais para dedicar a diferentes projetos em território luso.

O turismo é outro dos âmbitos onde as relações hispano-lusas estão mais presentes, devido ao grande fluxo de turistas que atravessam todos os anos a fronteira para visitar o país vizinho.

A maior companhia aérea portuguesa, TAP, estreia em junho dois novos voos com destino a Espanha, Lisboa-Las Palmas e Lisboa-Alicante, aumentando para dez as suas conexões ibéricas.

No setor do comércio retalhista, o Mercadona prepara o seu desembarque em Portugal, previsto para 2019 com quatro lojas na zona norte, e a lusa Sonae reforçou a sua rede comercial em Espanha com novas lojas das suas marcas, como a Worten ou a Sport Zone.

Companhias como a Navigator, a produtora de azeite Sovena ou a elétrica EDP continuam bem assentes em Espanha.

A estes estreitos laços contribuem também as boas relações a nível institucional, como mostra o aumento das viagens das respetivas autoridades ao país vizinho nos últimos anos.

As primeiras viagens do rei Felipe VI após a sua coroação foi ao Vaticano e a Portugal e o mesmo aconteceu quando Marcelo Rebelo de Sousa assumiu a presidência lusa: viajou à Santa Sede e a Espanha.

"Isto demonstra que as relações institucionais entre os dois países são fenomenais, o que facilita a relação comercial. Também é importante falar dos vínculos culturais e afetivos, somos povos muito parecidos", concluiu Castro Henriques, que acrescenta que existe uma "relação umbilical" entre ambos.

Paula Fernández