EFELisboa

Portugal, um dos destinos onde se especula que Juan Carlos I poderá estar após a sua saída de Espanha, mantém silencio ao nível oficial, com as autoridades a insistirem que nada se sabe sobre a situação do monarca emérito espanhol, um mistério sem pistas sólidas.

O mistério do paradeiro de Juan Carlos I permanece sem resposta 48 horas após a sua partida de Espanha ter sido anunciada, com algumas informações da imprensa que apontavam para Portugal como um destino provável.

Estoril, lugar de residência na sua adolescência, durante o exílio da família real espanhola, mas também Azeitão, a meia hora de Lisboa e onde amigos íntimos têm uma residência, foram apontados nas últimas horas como possibilidades.

Mas em nenhum deles foram confirmados movimentos invulgares que pudessem alertar para a presença de um antigo chefe de Estado. A dúvida permanece e, com o passar das horas, começa a gerar mais atenção por parte da imprensa portuguesa, que recorda a sua trajetória.

Desde a sua vida no Estoril, ao "Por que não te calas?" que lançou em 2007 para o então presidente venezuelano Hugo Chávez, que destacam como o seu momento de maior popularidade: A situação de Juan Carlos I começa a intrigar cada vez mais em Portugal, onde já é o protagonista das principais tertúlias informativas.

SEM INFORMAÇÃO

"Havia uma resposta politicamente correta que era dizer que não deveria comentar (...), mas vou mais longe, porque verdaderamente não sei", respondia o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, ao ser perguntado se o rei emérito de Espanha está no país.

"E penso que as autoridades portuguesas também não têm conhecimento sobre essa matéria", disse aos jornalistas, em alusão ao Governo do socialista António Costa.

A Câmara de Cascais, região à qual Estoril pertence, ao serem consultados pela EFE, declinam fazer comentários.

O seu autarca, o conservador Carlos Carreiras, sempre se mostrou muito colaborativo com a Casa Real espanhola, e em 2015 falou-se de uma oferta ao monarca emérito para que tivesse a sua residência de verão no Estoril.

A Câmara tem na sua posse desde 2004 a célebre Casa Santa Maria, que pertenceu até esse ano à poderosa família Espírito Santo, banqueiros que se tornaram no grande apoio do pai do rei durante o exílio.

Esta casa, que se encontra junto a um farol com vistas para o atlântico, é atualmente um museu que acolhe visitas guiadas pelo edifício e exposições temporárias.

E face à falta de informação, o silêncio impõe-se também nos principais partidos políticos de Portugal.

AMIGOS COM DÚVIDAS

A possibilidade de Juan Carlos se instalar em Portugal é vista como provável devido à estreita conexão emocional que tem com o país, ao ter sido o seu último lar no exílio antes de assumir funções institucionais em Espanha.

A sua irmã, a infanta Margarita, ainda tem uma casa no Estoril, mas muitos amigos portugueses de Juan Carlos I duvidam que vá para esta zona.

"Aquele Estoril da sua juventude desapareceu. Fica pouca gente da sua geração", disse à revista Sábado alguém próximo do seu meio, que preferiu o anonimato.

Já Jorge Arnoso, um dos seus melhores amigos de infância, disse à mesma publicação que não considera provável uma nova vida em Portugal.

"Ele sempre gostou muito de vir a Portugal, que considera um pouco a sua pátria. Os amigos aqui já são poucos, porque estamos numa idade em que vamos desaparecendo", comentou.

A Arnoso não é a única família com quem mantém boas relações após vários anos, contando também com vínculos com os Espírito Santo.

É precisamente dos Brito e Cunha-Espírito Santo o outro complexo onde se especula que possa estar, a herdade "Quinta do Peru", na localidade de Azeitão, cerca de 35 quilómetros ao sul de Lisboa, no Parque Natural da Arrábida, algo também não confirmado.

BOAS RELAÇÕES ESPANHA-PORTUGAL

O atrativo de Portugal como destino baseia-se também nas excelentes e bastante estreitas relações entre os Governos e as chefias de Estado de Espanha e Portugal.

Ambas nações contam com líderes de Governo socialistas, Pedro Sánchez e António Costa, respetivamente, e Felipe VI e Marcelo Rebelo de Sousa protagonizaram numerosos e cordiais encontros, o último deles no passado dia 21 de julho em Madrid.

Os dois chefes de Estado almoçaram e depois visitaram juntos o Museu do Prado no âmbito de uma viagem privada do presidente português, o que também demostra uma boa relação pessoal.

Além disso, os dois países mostraram as suas boas relações no passado 1 de julho com um ato simbólico da reabertura da fronteira comum realizado entre Elvas e Badajoz, que contou com a presença de ambos chefes de Estado e de Governo.

Por Cynthia de Benito