EFENações Unidas

O Programa Alimentar Mundial (PAM), reconhecido este ano com o Prémio Nobel da Paz, fez esta sexta-feira um pedido inédito aos multimilionários do mundo para que ajudem a salvar vidas diante da crise causada pela pandemia da Covid-19, que pode levar ao agravamento do problema da fome em dezenas de países.

"Peço aos multimilionários que nos ajudem agora. A humanidade precisa de ajuda agora, e este é um pedido único", disse o diretor executivo do PAM, David Beasley, numa conferência de imprensa virtual nesta sexta-feira, Dia Mundial da Alimentação.

"O mundo está numa encruzilhada e precisamos que os multimilionários colaborem como nunca o fizeram antes", acrescentou Beasley.

Durante o evento, o diretor do PAM também lembrou que as pessoas mais ricas dos Estados Unidos acumulam, juntas, uma fortuna equivalente a 1 bilião de dólares e fez referência aos enormes lucros obtidos pelas grandes empresas do setor de tecnologia graças à pandemia, que, por outro lado, ameaça a segurança alimentar de milhões de pessoas.

De acordo com um relatório publicado recentemente pelo Institute for Policy Studies, os 643 americanos mais ricos aumentaram os seus patrimónios em 845.000 milhões entre 18 de março e 15 de setembro deste ano.

"Por que não podemos usar parte desse dinheiro? Não preciso de 1 bilião, só de alguns milhares de milhões de dólares para salvar milhões de vidas, para salvar a humanidade de uma das maiores catástrofes desde a Segunda Guerra Mundial", argumentou o especialista.

"Não é pedir muito. Senhor, tenha misericórdia. Se passar de um património líquido de 500.000 milhões para um de 495.000 milhões, acho que não terá que se privar de uma refeição", disse.

Beasley voltou recentemente de uma visita ao Sahel, região no norte de África que inclui territórios de países como Gâmbia, Senegal, Mauritânia, Mali, Burkina Faso, Argélia, Níger, Nigéria, Camarões, Sudão e Eritreia, entre outros, e destacou as dificuldades enfrentadas pela população local, assim como pelos cidadãos de outros Estados, como Iémen, Afeganistão e Síria.

Além disso, afirmou que as doações dos países-membros do PAM, que em 2019 foi de 8.400 milhões, pode ser comprometida pela pandemia, já que "os países ricos destinaram 17.000 milhões a pacotes de estímulo para resgatar as suas próprias economias".

No início da semana, o Programa Alimentar Mundial lançou uma convocatória para arrecadar 6.800 milhões nos próximos seis meses para combater a fome, mas até agora apenas recebeu 1.600 milhões.

No dia 9 de outubro, a agência da ONU foi anunciada como vencedora do Prémio Nobel da Paz 2020 "pelos seus esforços no combate à fome, pela sua contribuição para melhorar as condições de paz em áreas afetadas por conflitos e por atuar como uma força motriz nos esforços para prevenir o uso da fome como arma de guerra e conflito", segundo o comité que otorga o reconhecimento.