EFEGroninga (Holanda)

O ex-presidente do Governo da Catalunha, Carles Puigdemont, afirmou esta quarta-feira que "gostaria de deixar a política e voltar à normalidade o mais rápido possível", mas advertiu que espera "um novo mandato de captura europeu, o terceiro" contra si nas "próximas semanas ou mês".

"Apesar de não haver atualmente uma ordem de detenção contra mim, a Justiça espanhola rejeita aceitar-me como uma testemunha do ocorrido na Catalunha. A minha opinião não é importante para conhecer a verdade? Estou disposto a responder a todas as perguntas da acusação e da defesa", assegurou.

Num colóquio na Universidade de Groninga, no norte da Holanda, Puigdemont ressaltou que "não é assunto" dos catalães "resolver os problemas de Espanha", em referência à impossibilidade do Governo de Pedro Sánchez em aprovar o orçamento geral do Estado.

Puigdemont acrescentou que "a Espanha atual não é a mesma que a de Franco, mas ainda há sombras do franquismo na Justiça espanhola", o que torna "difícil" que os detidos pelo "procés" independentista na Catalunha obtenham "um julgamento justo".

"Obviamente, deve-se deixar uma coisa clara: a Espanha atual não é a mesma que Espanha dos tempos de Franco. É preciso dizê-lo de forma clara, obviamente, porque nesse sentido, não é o mesmo", disse, depois de afirmar que nas prisões espanholas "há presos políticos" e que ele é "um exilado".

Carles Puigdemont considerou que o discurso da Procuradoria espanhola "reflete claramente que este é um julgamento político" e ressaltou que o problema dos catalães "não é com a população espanhola mas sim com os seus políticos".

Puigdemont comparou a situação de prisão dos separatistas catalães com as duas semanas que ele passou numa prisão alemã no ano passado, afirmando que "apesar de que ser um edifício antigo, de princípios do século XX, o tratamento era correto, senti-me respeitado, da mesma maneira que o resto dos presos", enquanto em Espanha os seus colegas "foram maltratados no carro durante a mudança à prisão", segundo disse.