EFELisboa

Vídeos, fotos, mensagens..., até os animais de estimação dos candidatos ganham protagonismo nas redes sociais no combate eleitoral vivido em Portugal, embora os partidos ainda não estejam a usufruir de todo o potencial de uma campanha virtual.

As redes sociais não eram tradicionalmente um fator eleitoral decisivo em Portugal, mas agora estão no centro dos partidos, que procuram reforçar uma campanha limitada pela pandemia.

Mais de 10,8 milhões de eleitores estão chamados às urnas no próximo domingo e os jovens, embora não sejam os únicos aderentes às redes sociais, são os seus principais utilizadores e um enorme ponto de atração de votos para os partidos.

Cerca de 43.500 maiores de 18 anos votarão no dia 30 pela primeira vez e, em conjunto, mais de 933.000 estão na faixa dos 18 a 24 anos, quase 10% dos eleitores.

UM POTENCIAL POR EXPLORAR

Qual a influência das redes sociais na decisão eleitoral? Um impacto ainda difícil de medir em Portugal, admite a politóloga Paula do Espírito Santo em declarações à Agência EFE. "É um estudo que ainda está a ser desenvolvido".

O país tinha 8,6 milhões de utilizadores de internet em 2021. Mais de 7 milhões têm conta no Facebook e um número similar segue o Youtube; quase 5 milhões no Instagram e Whatsapp e cerca de 2,5 no Twitter, segundo o Datareportal.

Nenhum candidato quer ficar fora das redes, mas o seu impacto é ainda limitado.

No Twitter, por exemplo, os dados são claros.

Favorito nas sondagens, o Partido Socialista tem 51.600 seguidores, e o seu candidato, António Costa, tem 226.000 na sua conta de primeiro-ministro. No Instagram chega aos 111.000.

Os dados do conservador Partido Social Democrata (PSD), a segunda força do país, também são modestos: 58.000 para o partido e cerca de 61.000 para o seu líder, Rui Rio, que no Instagram ronda os 12.700.

As minorias de esquerda caem no Twitter -7.000 seguidores para o Bloco de Esquerda e 19.000 para o PCP- enquanto a direita tem aqui uma maior ligação com os internautas.

O caso mais chamativo é a Iniciativa Liberal que, com uma agressiva campanha e um anúncio sobre emigração baseado em "histórias verídicas", soma 50.000 seguidores e mais de 218.000 visualizações nesse vídeo.

Qualquer dos candidatos sonharia chegar aos 7,5 milhões da modelo portuguesa Sara Sampaio no Instagram ou os 1,3 milhões do ex-futebolista Luís Figo no Twitter.

HISTÓRIAS COM MENSAGEM

A típica foto do comício ou o vídeo com o programa eleitoral são já fórmulas obsoletas nas redes sociais, embora continuem a ser as mais usadas pelos partidos.

"Não há um comportamento inovador" nas redes sociais, afirma a investigadora Susana Salgado, que chama à atenção sobre a desconexão entre os jovens e os políticos portugueses.

Os partidos, opina esta especialista em política e média, "comunicam a todos da mesma maneira, o que é um erro".

"É mais fácil convencer um jovem a ir plantar uma árvore que o convencer de ir a um comício para ouvir sobre a conveniência de plantar árvores", aponta a especialista em declarações à emissora pública RTP.

Há exceções. Como as "Histórias socialistas" criadas por João Pedro Luís, candidato do PSD em Portalegre, que aos seus 19 anos consegue milhares de visualizações no Twitter com vídeos destinados aos jovens.

As suas "histórias" criticam os socialistas num tom irónico, com montagens audazes, música orelhuda e mensagens contundentes.

Do PSD chega também "Escolhe o teu primeiro-ministro", um peculiar concurso pensado para os indecisos -mais de 15%, segundo as sondagens-.

"Onde gastaria quatro milhões de euros, na TAP ou no Sistema de Saúde". "Contrataria mais médicos de família ou mais ministros da mesma família?". Os conservadores aproveitam as polémicas da gestão socialista.

COMO CÃES E GATOS

Gatos, uma cadela e até um coelho. Os animais de estimação dos candidatos também se juntaram à campanha virtual.

Um deles é Zé Albino, o gato de Rui Rio, "desolado" pela aproximação do animalista PAN ao PS, um post com cerca de 7.000 'gostos' no Twitter.

Rui Tavares, do Livre (esquerda), mostrou Camões, um gato "arrepiado das vacilações do PSD com a extrema-direita", e João Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal, apresentou a sua cadela, Bala, "muito entusiasmada com o crescimento da IL".

Acácia, o coelho de André Ventura, completou a lista e "não vai deixar que a deixem atrás", advertiu o seu dono.

Um aviso para os internautas, a julgar pelo crescimento da extrema-direita nas sondagens.

Por Mar Marín