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O Governo do Reino Unido vai pedir à União Europeia (UE) adiar a data de saída do país do bloco, afixada para 29 de março, para tentar pactuar com o Parlamento um guião, após a contundente rejeição do plano governamental.

A Câmara dos Comuns apoiou esta quinta-feira por 413 votos frente a 202 pedir aos Vinte e sete que se amplie o período de negociação através da prolongação do artigo 50 do Tratado de Lisboa, o que significa que a primeira-ministra, a conservadora Theresa May, não vai cumprir a sua promessa de tirar o país da UE no final deste mês.

Em resposta à votação, a Comissão Europeia assinalou que a extensão do artigo, cuja ativação por parte do Reino Unido deu início aos dois anos de conversas entre Londres e Bruxelas, "requer o consentimento unânime dos 27 Estados membros".

"Será o Conselho Europeu a considerar a solicitação" na sua cimeira dos dias 21 e 22 de março, afirmou um porta-voz.

Os deputados britânicos apoiaram esta quarta uma moção governamental que diz que o Executivo vai pedir um adiamento técnico até 30 de junho se os Comum aprovarem um acordo do "brexit" antes de 20 de março -a véspera da reunião do Conselho- e mais longo se não houver pacto.

No segundo caso, precisa o texto, o Reino Unido teria que justificar aos líderes europeus "o propósito" do adiamento, e, se este fosse concedido, o país deveria concorrer às eleições europeias que serão realizadas entre 23 e 26 de maio.

Ao início do debate em Westminster, o ministro do Gabinete, David Lidington, explicou que, se o acordo do Governo voltar a ser derrotado quando for votado, provavelmente na próxima terça-feira, a câmara terá "duas semanas" depois da cimeira comunitária para votar sobre diferentes alternativas a fim de pactuar um plano.

May quer submeter o seu tratado para a saída da UE a votação pela terceira vez na próxima semana, após ter já sido rejeitado com contundência a 15 de janeiro, por uma margem de 230 votos, e a 12 de março, por 149.

Nos próximos dias, May espera convencer os seus colegas conservadores eurocéticos e os seus parceiros parlamentares do Partido Democrático Unionista (DUP) da Irlanda do Norte a que apoiem o seu pacto em vez de arriscar que, com o adiamento, o "brexit" não chegue a acontecer.

A UE reiterou que se Londres pedir ampliar as negociações, tem que explicar os seus motivos, como prevê pactuar uma proposta maioritária nos Comuns e que tipo de relação quererá ter com o bloco comunitário uma vez fora.

No entanto, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou esta quinta-feira que, nas suas conversas antes da cimeira europeia da próxima semana, vai pedir aos líderes comunitários que aceitem um adiamento "longo" caso o Reino Unido decida repensar a sua estratégia.

Antes de aprovar a moção governamental, os deputados rejeitaram três emendas à mesma, entre elas uma que pedia atrasar a data de saída para realizar um segundo referendo do "brexit" -após o de 2016-, que foi descartada amplamente ao não contar com o apoio do Partido Trabalhista, que julgou que não era o momento de se pronunciar sobre o assunto.

Outra emenda que também foi derrotada foi a desse mesmo partido, primeiro da oposição, que pedia a ampliação do artigo 50 para dar tempo a conseguir um consenso nos Comuns à volta de um plano alternativo ao do Governo.

A terceira, derrotada por apenas dois votos, propunha que a 20 de março um grupo de deputados de todos os partidos tomasse o controlo da agenda parlamentar para organizar a votação de várias vias alternativas no processo do "brexit".

Judith Mora