EFEMelilla (Espanha)

A última estátua do ditador Francisco Franco que permanecia em espaço público em Espanha foi retirada esta terça-feira da cidade de Melilla, localizada no norte de África.

Trata-se de uma das primeiras cidades onde ocorreu o levante militar de 1936, que resultou na Guerra Civil espanhola e na posterior ditadura franquista.

A retirada da estátua coincidiu com o 40º aniversário do fracassado golpe militar de 1981 no país.

Espanha conta, desde 2007, com a chamada Lei de Memória Histórica, que foi aprovada no Governo de José Luis Rodríguez Zapatero, que procura a reparação moral dos perseguidos pela ditadura e que obriga à retirada dos símbolos e expressões de apoio.

A retirada da estátua da via pública aconteceu sem aviso prévio e durou cerca de uma hora, rodeada de um forte efetivo policial. Algumas pessoas conseguiram chegar até ao local e acompanhar a retirada, além de registrá-la em foto ou vídeo.

O monumento foi retirado num camião e levado para um prédio público municipal, segundo explicou o presidente da cidade de Melilla, Eduardo de Castro, que divulgou o ato nas redes sociais.

A retirada foi possível depois da Assembleia Municipal a ter aprovado na segunda-feira, com o apoio de três partidos, o Ciudadanos, o Partido Socialista e a Coligação por Melilla, que formam o Governo local.

O conservador Partido Popular absteve-se, e o partido de extrema-direita Vox votou contra.

Franco tornou-se chefe de Estado de Espanha em 1939, a partir da vitória das forças que se rebelaram contra a República, ficando no poder até morrer, em 1975, três anos antes do reestabelecimento da democracia.