EFEParis

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) condenou esta quarta-feira a "cruzada da extrema-direita do Vox contra a liberdade de imprensa", pedindo ao partido espanhol que "cesse os seus ataques" aos meios de comunicação e respeite a liberdade de informação dos cidadãos patente na Constituição espanhola.

Num duro comunicado, a RSF afirmou que o partido dirigido por Santiago Abascal provocou "numerosos ataques à liberdade de imprensa" que se intensificaram nas últimas semanas até ao ponto de negar a acreditação a jornalistas do grupo Prisa aos seus atos.

A organização denunciou "pressões, assédio nas redes sociais, acusações ou insultos contra jornalistas", atitude que "põe em dúvida o caráter democrático que o partido assegura ter para poder participar nas eleições, obter representação parlamentar e defender a sua ideologia e o seu programa político".

A RSF constatou o veto imposto pelo Vox antes da campanha aos jornalistas do "eldiario.es", "El plural", "Público", "La Marea", "El Español", "El Mundo", salvo dois jornalistas, "El País", em alguns casos, "Infolibre", "CTXT" e aos programas de televisão "El Intermedio", da "La Sexta", e "Todo es mentira", da "Cuatro".

Junta-se a isso a proibição durante a campanha aos repórteres do grupo Prisa, que edita o jornal "El País" e que possui a cadeia de rádio "Ser", que inclusivamente foram excluídos da noite eleitoral do Vox apesar da advertência da Junta Eleitoral Central.

"Preocupada pela situação em Espanha, a RSF lança uma advertência ao Vox para que o partido acabe com estes ataques contra a liberdade de informação", indicou a organização em comunicado.

O seu responsável pela Europa, Pauline Adés-Mével, assegurou que "se o Vox continua a considerar o jornalismo como o seu inimigo, a RSF vai considerar o Vox como um opositor à liberdade de imprensa".

"Não podemos aceitar novos travões deste partido político contra um bem tão precioso como a liberdade de informação, e faremos tudo o que está nas nossas mãos para que a nossa preocupação seja ouvida a nível internacional e em todas as instâncias necessárias", acrescentou.

A RSF oferece "todo o seu apoio e a sua colaboração aos meios e aos jornalistas afetados por estes ataques".

A organização recordou que Espanha ocupa o lugar número 29 da sua lista de liberdade de imprensa, que inclui 180 países.