EFEMoscovo

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, disse que só vai responder ao Reino Unido sobre o envenenamento do ex-duplo espião Sergei Skripal quando esse país "cumprir com as suas obrigações" de acordo com a Convenção de Armas Químicas e lhe entregue uma amostra da substância que supostamente foi usada.

O "Reino Unido, como bem devem saber a sua primeira-ministra e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, é membro, da mesma forma que a Rússia, da Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas", disse Lavrov.

Por isso, acrescentou que Londres, assim que teve a suspeita do uso de uma substância proibida, "teria que se ter dirigido imediatamente ao país de onde se suspeita que procede essa substância".

Nesse caso, de acordo ao estabelecido pela Convenção, -acrescentou Lavrov- "teríamos dado uma resposta no prazo de dez dias".

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo disse ainda que "se a resposta não satisfaz o país que pede a informação, esse país -neste caso a Grã-Bretanha- deve dirigir-se ao conselho executivo da Organização para a proibição de Armas Químicas e à Conferência de países membros".

Lavrov insistiu que Londres tem a obrigação de proporcionar a Moscovo acesso a todos os materiais relacionados com o caso Skripal, e que a parte supostamente envolvida na produção de tal substância "reserva o direito a ter acesso" à mesma, para a poder analisar.

O ministro disse que a Rússia exigiu o acesso a todos os materiais da investigação de acordo com a Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas, mas que esta foi rejeitada.

Enquanto isso, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo convocou hoje o embaixador do Reino Unido em Moscovo no âmbito deste caso.

"Hoje, terça-feira, o Ministério convocou o embaixador de Reino Unido", Laurie Bristow, apontou o ministério, que não deu mais detalhes.

Ontem, o embaixador russo na Grã-Bretanha, Alexander Yakovenko, foi chamado a consultas ao Ministério dos Negócios Estrangeiros em Londres.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, assegurou no Parlamento do seu país que é "altamente provável" que a Rússia seja responsável do envenenamento de Skripal e deu até hoje a Moscovo para que desse uma explicação.

Skripal, de 66 anos, e a sua filha, de 33, permanecem em estado crítico, embora estável, desde que foram encontrados a 4 de março inconscientes num banco de um parque em Salisbury (sul de Inglaterra).

"Está agora claro que o o senhor Skripal e a sua filha foram envenenados com um agente nervoso de natureza militar de um tipo desenvolvido pela Rússia. É parte de um grupo de agentes nervosos conhecidos como 'Novichok'", especificou May durante um discurso na Câmara dos Comuns.

May sublinhou que só há "duas possibilidades" para explicar o envenenamento: ou é "um ataque direto" da Rússia, ou Moscovo "perdeu o controlo" da substância e deixou que caísse em mãos inadequadas.