EFE

Kiev/

A Rússia está a exportar para a Turquia cereais roubados dos territórios que ocupa na Ucrânia, de acordo com uma investigação do grupo de jornalistas do programa audiovisual Skhemy, produzido pela Radio Free Europe.

A investigação, difundida pela agência ucraniana Ukrainska Pravda, demonstra que as autoridades turcas não estão a cumprir as garantias de que não iriam comprar cereais ucranianos roubados pela Rússia dos territórios ocupados.

Os jornalistas também publicaram fotografias dos documentos que acompanham os carregamentos de cereais, que a Turquia importa em grandes lotes, e que indicam que o local de origem do produto é "Crimeia, Rússia", aponta a agência local.

Os cereais são carregados no terminal de Avlita, no porto da cidade de Sevastopol, após serem transportados dos territórios ucranianos militarmente ocupados pela Rússia, tais como as regiões de Kherson e Zaporiyia, no sul da Ucrânia.

Os repórteres dizem que vigiaram dois barcos como exemplo, um russo e um sírio, para demonstrar como os graneleiros entravam regularmente no porto sancionado de Sevastopol, onde eram carregados com cereais no terminal de Avlita, e depois chegavam à Turquia, onde eram descarregados.

Os graneleiros apagam os seus radares ao chegar a um porto da Crimeia, pelo que não podem ser acompanhados através dos sistemas de monitorização de outros navios.

No entanto, não podem "esconder-se" dos satélites, que registam desde o espaço a permanência e carregamento de navios no terminal de Avlita, reitera a investigação relatada pela Ukrainska Pravda.

"Um destes navios é o Mikhail Nenashev, que navega sob a bandeira russa. Os jornalistas fornecem provas de que fez três viagens desde um porto da Crimeia a portos na Turquia", diz a agência ucraniana.

Outro graneleiro seguido pelo Skhemy é o navio sírio Finikia. A 20 de abril, apareceu em imagens de satélite no terminal Avlita, ressalta a investigação.

O barco só reapareceu no radar no dia 21 de abril, tendo já sido colocado no mar carregado. A 29 de abril atracou em Nemrut, na Turquia, e descarregou os cereais, de acordo com o relatório.