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Todos conhecemos a Terra Média onde acontece a história de "O Senhor dos Anéis" ou "O Hobbit" e sabemos que o seu autor foi J. R. R. Tolkien mas... em que se inspirou para criar o seu vasto universo de fantasia? Essa é a pergunta à qual "Tolkien", o primeiro biopic sobre o escritor, tenta dar resposta.

O filme, que estreia em Portugal no próximo dia 20 de junho, narra a infância e juventude de John Ronald Reuel Tolkien (1892-1973), interpretado por Nicholas Hoult, marcada pela orfandade, os seus amigos e um grande amor, o de Edith, papel de Lily Collins.

O realizador do filme, o finlandês Dome Karukoski, confessou numa entrevista com a Efe em Londres que decidiu contar esta história quando descobriu a similaridade entre a vida de Tolkien e a sua própria.

"Comecei com 12 anos a ler os seus livros. Eu cresci sem pai, sofri com o bullying, sentia-me só e as personagens dos seus livros tornaram-se nos meus amigos", explicou.

"Anos depois descobri a sua história e dei-me conta que tinha experimentado o mesmo que eu", acrescentou, pelo que decidiu "fazer um retrato" do seu mundo.

Karukoski aprofunda na alma do escritor para o espectador descobrir que foi o que o inspirou desde jovem para criar a sua venerada obra, e no centro desta criação encontra-se, além dos seus amigos, Edith.

Uma história de amor praticamente desconhecida para o grande público mas que representou um dos pilares de um homem, que além de criar a Terra Média, teve tempo para cultivar um casamento que durou 55 anos e criar quatro filhos, John (1917-2003), Michael (1920-1984), Christopher (1924) e Priscilla (1929).

Lily Collins reconheceu à Efe que, antes de começar a fazer a sua pesquisa para o filme, nem sequer sabia da existência de Edith nem tinha parado para considerar "o homem que se escondia por trás dos livros".

"Surpreendeu-me tudo o que li porque eu não sabia muito dele, encantavam-me as suas histórias, os mundos que criava, mas nunca tinha parado para pensar quem havia por trás da lenda", disse.

O mesmo aconteceu com Nicholas Hoult, que apesar de se confessar fã do trabalho de Tolkien, revelou que sabia "muito pouquinho sobre ele".

"Tive que aprender sobre as relações que teve, a sua experiência na I Guerra Mundial e o seu amor pela linguagem", defendeu o modelo e ator britânico de 29 anos.

"Agora gosto de reler a sua obra com isso em mente porque se descobre coisas novas", afirmou.

Contudo, os fãs de "O senhor dos Anéis" devem saber que não existem referências explícitas à grande obra de Tolkien neste filme, que se centra na sua vida pessoal.

"Creio que as pessoas sabem que os filmes de 'O senhor dos Anéis' já estão feitos e que este filme é a descoberta do génio por trás de todas as personagens fantásticas", opinou Collins, filha do conhecido músico Phil Collins.

"Não é um filme sobre os seus livros, é sobre a sua imaginação, a sua mente e sobre como vai construindo as ideias que depois darão forma à sua obra", apontou o realizador.

Realizada e interpretada por admiradores confessos do escritor, linguista e professor universitário, a projeção não recebeu a aprovação da família de Tolkien, algo que Karukoski lamentou profundamente.

"A família não viu o filme, isso é o que me dá pena e encorajo-lhes que a vejam", afirmou o finlandês.

O realizador assegurou que se trata de um filme feito com "respeito, admiração e amor" para com a figura de Tolkien, embora reconheceu que para que "funcionasse" tiveram que tomar certas "licenças artísticas" pois "a vida quotidiana é muito aborrecida".

"É um filme para celebrar a sua vida e ficaria encantado que o vissem e conhecer a sua opinião", concluiu.