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Trabalhos sobre reivindicações sociais na América Latina levaram a melhor esta quarta-feira em várias categorias da XXXVIII edição do Prémio Internacional de Jornalismo Rei de Espanha.

Um júri formado por destacados profissionais internacionais de jornalismo escolheu os vencedores do galardão, que contou com 155 candidaturas procedentes de 20 países ibero-americanos.

A reunião do júri foi realizada pela primeira vez de forma virtual devido às restrições impostas pela pandemia de coronavírus, que também marcou o curso de alguns dos trabalhos vencedores.

Os Prémios Internacionais de Jornalismo Rei de Espanha são concedidos anualmente desde 1983, quando foram criados pela Agência Efe e pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID). O objetivo é reconhecer o trabalho informativo dos profissionais de jornalismo nos idiomas espanhol e português dos países que compõem a Comunidade Ibero-Americana de Nações e daqueles com as quais Espanha tem vínculos de natureza histórica e de relações e cooperação cultural.

Nesta ocasião, o júri escolheu a qualidade dos trabalhos relacionados com os movimentos sociais na América Latina, como "Los vídeos del estallido social", publicado pelo jornal digital chileno La Tercera, que recebeu o Prémio Rei de Espanha de Jornalismo Digital pelo seu trabalho de verificação e visão crítica em plenas mobilizações sociais naquele país.

O júri premiou, por maioria, a produção da jornalista Tania Soledad Opazo Guerrero e a sua equipa, considerando que "reflete que os tempos do jornalismo estão a mudar".

A reportagem compila e conta as histórias por trás dos vídeos gravados por meio de telemóveis durante a explosão social que ocorreu no Chile em 2019 e 2020 e que se tornaram virais nas redes sociais.

Já o feminismo esteve presente como tema de "Calladitas nunca más", da Univisión Noticias Digital, do México. O trabalho, em formato podcast, foi vencedor do Prémio Internacional de Jornalismo Rei de Espanha na categoria Desenvolvimento Cultural e Social.

O júri ressaltou que a produção premiada "revive as manifestações das mulheres mexicanas, nas quais pela primeira vez na história elas se fazem ouvir nas ruas para reivindicar a sua luta contra a violência de género".

O trabalho foi publicado a 4 de março de 2020 e mostra uma grande compilação de arquivos com sons ao vivo, música, entrevistas com testemunhas, mulheres jovens, mães, jornalistas e mulheres em cargos públicos.

A grande migração venezuelana para a Colômbia foi destacada com o Prémio Ibero-Americano de Jornalismo com "Migrantes: resistir en medio de la pandemia", uma reportagem publicada pelo jornal colombiano El Tiempo.

O trabalho premiado foi realizado por Jhon Torres Martínez e a sua equipa, e o júri valorizou o fato de que explica "muito bem uma situação de êxodo e que serve para chamar a atenção para esta tragédia".

Uma imagem intitulada "The Last Embrace", do fotógrafo colombiano Carlos Alberto Emilio Velásquez Piedrahita, ganhou o Prémio Internacional de Jornalismo do Rei de Espanha na categoria Fotografia.

O júri destacou na sua decisão a força e as informações refletidas numa única imagem, que resume o evento informativo e o impacto de algo tão desolador quanto a perda de um irmão.

Uma entrevista ao vivo à W Radio, da Colômbia, recebeu o prémio na categoria Rádio por "Cliver Alcalá: El general (r) venezolano que confesó su plan para asesinar a Nicolás Maduro", uma entrevista ao vivo de Juan David Cardozo.

A jornalista portuguesa Catarina Isabel Canelas Gonçalves venceu o Prémio Especial Ibero-Americano de Jornalismo Ambiental e Desenvolvimento Sustentável por "Plástico: o novo continente", reportagem exibida pela TVI a 10 de agosto de 2020 e que mostra "imagens chocantes que refletem um enorme problema global, o da invasão do plástico nos mares".

A obra "Leonardo Padura, una historia escuálida y conmovedora", do jornalista cubano Nayare Menoyo, recebeu o Prémio Internacional de Jornalismo Rei de Espanha na categoria Televisão.

O júri destacou na sua decisão que o prémio reconhece "uma história muito bem contada com uma evidente falta de meios que o prende", sobre o escritor, jornalista e guionista cubano Leonardo Padura, Prémio Princesa das Astúrias de Literatura.

O júri também premiou o jornal El Periódico, da Guatemala, na categoria Média Destacada da Ibero-América, pelo seu "trabalho incansável de jornalismo investigativo pelo qual o seu diretor e equipa sofreram ataques, perseguições, campanhas de difamação e até bloqueios comerciais".

Na categoria Imprensa, o vencedor foi o jornalista espanhol Pedro Simón, do jornal El Mundo, pela sua reportagem intitulada "Hugo, historia de un corazón".

Já o cubano Carlos Manuel Álvarez Rodríguez ganhou o Prémio Dom Quixote de Jornalismo, na sua 17ª edição, pelo artigo "Tres niñas cubanas", publicado na revista El Estornudo, de Cuba, em 23 de fevereiro de 2020.

O autor conta o desabamento de uma varanda numa rua de Havana Velha que causou a morte de três jovens raparigas que voltavam da escola para casa. O caso serviu para destacar a deterioração de edifícios em muitos bairros da cidade.

Os Prémios Internacionais de Jornalismo Rei de Espanha são patrocinados pelo grupo industrial Suez e ofereciam nesta edição aos vencedores 6.000 euros e uma escultura do artista Joaquín Vaquero. Já o ganhador do Prémio Dom Quixote faturou 9.000 euros e uma escultura de Xema Teno.

Os prémios são entregues desde a sua criação pelo rei e a rainha da Espanha -primeiro pelo agora rei emérito Juan Carlos I e a rainha Sofia, e depois por Felipe VI e a rainha Letizia.

Entre os vencedores estão escritores como Mario Vargas Llosa, Prémio Nobel de Literatura, e o espanhol Arturo Pérez Reverte.