EFEWashington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerou esta quinta-feira "muito sério" o debate sobre uma teoria da conspiração avançada por setores conservadores que questionam que a senadora Kamala Harris possa concorrer à vice-presidência por ser filha de imigrantes.

"Acabo de ouvir isso, ouvi-o hoje, que ela não cumpre com os requisitos", respondeu Trump ao ser consultado por uma jornalista durante a sua conferência de imprensa diária sobre o coronavírus.

"Não tenho ideia de se isso é correto. Presumo que os democratas o tenham comprovado antes de a terem escolhido como candidata a vice-presidente. Mas isso é muito sério".

E perguntando novamente à jornalista: "Estão a dizer que ela não se qualifica porque não nasceu neste país?".

Filha de pai jamaicano e mãe indiana, Harris nasceu a 20 de outubro de 1964 em Oakland (Califórnia), pelo que é cidadã americana de nascimento e pode aceder aos dois cargos mais altos do país, a vice-presidência e a presidência.

A Constituição dos Estados Unidos estabelece o direito à cidadania por nascimento, independentemente da nacionalidade dos seus pais, algo que Trump tentou revogar sem sucesso.

A teoria da conspiração começou a circular depois da publicação de uma coluna de opinião na revista Newsweek do advogado conservador John C. Eastman, que questiona que a Constituição estabeleça a nacionalidade americana ao nascimento.

Eastman argumentou que caso os pais da senadora não fossem residentes permanentes no momento do seu nascimento, Harris não teria direito à cidadania, algo amplamente rejeitado no âmbito jurídico.

Esta quinta-feira, no entanto, uma assessora de campanha de Trump, Jennis Ellis, difundiu um tweet do presidente do grupo conservador Judicial Watch, Tom Fitton, que questionava, anexando o artigo de Eastman, que Harris seja "elegível para ser vice-presidente sob a 'Cláusula de cidadania' da Constituição dos Estados Unidos".

Trump foi em 2011 o principal impulsionador do falso rumor de que o então presidente, Barack Obama, não tinha nascido nos Estados Unidos, o que forçou o presidente a tornar pública a sua cédula de nascimento.

A este respeito, a ex-primeira-dama americana Michelle Obama escreveu nas suas memórias, "Becoming", publicadas em novembro de 2018, que "nunca perdoará" Trump por ter difundido essa teoria, acusando-o de ter colocado a sua família "em risco".