EFEBruxelas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta quarta-feira que a Alemanha é "totalmente controlada" pela Rússia devido à energia que recebe desde esse país e, em particular, pelo projeto de gasoduto Nord Stream II, que vai ligar diretamente os dois países.

"A Alemanha está totalmente controlada pela Rússia", declarou o líder ao início de uma reunião bilateral com o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, antes da cimeira de chefes de Estado e de Governo da Aliança realizada entre hoje e amanhã em Bruxelas.

Trump insistiu que considera "muito triste" que a Alemanha faça um acordo "massivo" de gás e petróleo com a Rússia, enquanto "supõe" que os Estados Unidos devem proteger a sua aliada perante Moscovo.

"A Alemanha paga milhões e milhões de dólares por ano à Rússia", criticou Trump, que qualificou a situação de "muito inadequada" e disse lamentar que o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder presida o gasoduto Nord Stream 2, a cargo da empresa estatal russa Gazprom.

"A Alemanha está totalmente controlada pela Rússia, porque recebe entre 60% e 70% da sua energia da Rússia do novo gasoduto", disse Trump, que questionou "se é adequado, porque para mim parece que não e acredito que é uma coisa muito má para a NATO, não acredito que deva acontecer e acho que deveremos falar sobre isso com a Alemanha", afirmou.

Trump criticou que a Alemanha destine pouco mais de 1% do PIB à despesa militar, enquanto os Estados Unidos contribuíram em 2017 com 3,57%, segundo os dados da Aliança.

O presidente americano também disse que Washington paga "muito dinheiro" para proteger os parceiros da NATO frente aos outros aliados, que investem menos em Defesa, e reconheceu que outros presidentes da primeira potência mundial já apresentaram essas diferenças.

"Eu quero apresentar porque acho que é muito injusto com o nosso país, com os nossos contribuintes, e acho que esses países devem aumentar (a despesa militar) não num período de dez anos mas imediatamente", afirmou.

De fato, acrescentou que a Alemanha é "um país rico" e poderia aumentar "amanhã" o investimento "e não ter problemas".

"Não acho que seja justo para os Estados Unidos, portanto vamos ter que fazer algo", disse.

Os países da NATO acordaram na cimeira de Gales de 2014 destinar numa década 2% do seu PIB à despesa militar, o que se tornou a principal exigência de Donald Trump aos aliados.

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, indicou que a Aliança é formada por 29 países e existem, "às vezes", diferenças e desacordos.

"Mas a força da NATO é que, apesar dessas diferenças, sempre fomos capazes de nos unir", comentou.