EFELinhares da Beira (Portugal)

A procura por cantos seguros e saudáveis colocou as aldeias rurais de ambos lados da Raia, a fronteira luso-espanhola, entre os destinos estrela deste ano, uma alternativa em tempos de covid que veio para ficar.

Exemplo da popularidade desta fórmula são as "Aldeias Históricas" portuguesas, uma rede de doze comunidades da região Centro do país perto da fronteira com Espanha e que esteve praticamente esgotada durante o verão.

Aldeias como Linhares da Beira ou Sortelha, com apenas uma centena de habitantes, oferecem agora uma garantia de segurança cada vez mais valorizada entre os visitantes.

Depois das limitações impostas pela pandemia que explodiu em março, este tipo de destinos atrai "novos clientes" vindos de Portugal e Espanha, levando as aldeias a terminarem agosto com uma ocupação média de 55% em comparação com os 23% da região Centro portuguesa.

"Agora esperamos que se mantenham como turistas regulares para os próximos anos", diz em declarações à Efe Pedro Machado, presidente do Turismo Centro.

"Este modelo que surgiu com a pandemia veio para ficar", salienta Machado.

A covid forçou o fecho da fronteira luso-espanhola entre meados de março e o passado 1 de julho, e "nesse mesmo dia chegaram turistas espanhóis aos nossos destinos", explica à Efe Dalila Dias, gestora das Aldeias Históricas de Portugal.

O desafio agora é estender a experiência ao outro lado da fronteira, a aldeias próximas à região espanhola de Sierra de Gata e Las Hurdes para desenhar um modelo de Aldeias Históricas da Raia e aumentar a sua projeção no espaço ibérico.

A iniciativa faz parte do projeto Território e Património (Terpat), que pretende impulsionar uma rede de Aldeias Históricas na Raia, em territórios de Castela e Leão, Região Centro de Portugal e a província de Cáceres.

O Terpat encontra-se dentro do Programa Operativo de Cooperação Transfronteiriça Interreg V-A Espanha-Portugal (POCTEC), com um fundo de cerca de 650.000 euros, 75% do programa de fundos europeu Feder e o 25% restante pela Deputação de Cáceres (Espanha).

O seu objetivo é valorizar o património cultural e natural das regiões transfronteiriças, e um dos seus eixos de atuação é a ampliação da Grande Rota 22(GR) das Aldeias Históricas da Raia -considerada a fronteira mais longa e antiga da Europa- para a tornar num "corredor cultural" que facilite o acesso aos tesouros que a zona esconde.

Para o conseguir, o projeto baseia-se em quatro eixos de atuação que indagam na história e cultura da Raia, as suas paisagens e as grandes rotas transfronteiriças.

Por Carlos García

Esta crónica faz parte da série "Histórias Transfronteiriças de Coesão Europeia", #HistóriasTransfronteiriças, #Crossborder, um projeto da Agência Efe financiado com o apoio da Comissão Europeia. A informação é responsabilidade exclusiva do seu autor. A Comissão não é responsável da utilização que se possa fazer desta.