EFEBruxelas

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pediu hoje ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que "aprecie" os seus aliados, porque, "ao fim e ao cabo não tem assim tantos", e considerou que os EUA "não terão um aliado melhor que a União Europeia (EU)", lembrando que o bloco gasta "mais que a Rússia" em defesa.

"Querida América, aprecie os seus aliados pois, ao fim e ao cabo, não tem assim tantos", afirmou Tusk em conferência de imprensa por causa de uma declaração conjunta de cooperação assinada hoje pela UE e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Nato), na qual enviou uma mensagem a Trump depois deste ter pressionado os seus aliados europeus a investirem mais em defesa.

Tusk, faltando poucas horas para a chegada do presidente dos Estados Unidos a Bruxelas para se reunir com os seus aliados da Nato numa cimeira prevista para esta quarta e quinta-feira, assinalou que "o dinheiro é importante, mas a solidariedade genuína é ainda mais", dirigindo-se também aos países europeus: "gastem mais em defesa porque todos valorizam um aliado bem preparado e equipado".

Por outro lado, Tusk lembrou a Washington que a UE "gasta muito mais" em defesa do que a Rússia e "o mesmo que a China", e pediu a Trump "que não tenha dúvida de que isto é um investimento em segurança, o que não se pode dizer com confiança sobre os gastos da Rússia e China", opinou.

"Querido presidente: lembre-se desta manhã quando nos encontrarmos na Cimeira da Nato, mas, sobretudo, quando estiver com o presidente (Vladimir) Putin em Helsínquia. É sempre importante saber quem é o seu amigo estratégico e quem é o seu problema estratégico", disse Tusk em alusão ao encontro que Trump irá manter com o chefe de Estado russo no próximo dia 16 na Finlândia, onde vai terminar a sua viagem pela Europa.

Ontem, Trump disse no Twitter que o sistema de financiamento da Nato, no qual os EUA são o maior contribuinte, "não é justo nem aceitável", dias depois de mandar mensagens a vários países europeus para recordá-los dos seus compromissos com os gastos em defesa dentro da Aliança.

A cimeira acontece num contexto de divisão entre os Estados Unidos e a Europa em âmbitos como o comércio, o acordo nuclear iraniano e a mudança climática, após as medidas unilaterais de Washington sobre essas questões.

Sobre a mesa está a exigência da Casa Branca aos aliados do Velho Continente de destinar pelo menos 2% do seu PIB aos gastos com defesa daqui até 2024, um ponto que também gerou tensões pelo interesse de Trump em conseguir este número o mais rápido possível, um objetivo que, no entanto, só está a ser cumprido por oito dos 29 aliados.