EFEViena

O comissário europeu de Programação Financeira e Orçamento, Günther Oettinger, advertiu hoje em Viena que a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) pode obrigar a reduzir o orçamento comunitário.

"Quando um grande contribuinte líquido abandona a UE, isso não pode acontecer sem cortes", disse o comissário, ao abordar a situação das contas comunitárias após o "brexit" com as autoridades da Áustria, país que vai assumir a presidência de turno comunitário no segundo semestre do ano.

Oettinger indicou que terão que produzir-se cortes consideráveis em quase todos os aspectos do orçamento, informa a agência austríaca APA.

O comissário defendeu que sejam apoiados projetos e programas com um "valor acrescentado", entre os quais citou a gestão das fronteiras comunitárias, as políticas de asilo, a inovação e o desenvolvimento.

Entre as iniciativas que devem ficar livres de cortes no marco financeiro para o período 2020-2027, o comissário mencionou o programa Erasmus de intercâmbio de estudantes e o plano de inovação Horizon 2020.

Oettinger também se referiu à possibilidade de reduzir as contribuições dos Estados membros, que atualmente representam 70% do orçamento comunitário, e aumentar novas fontes de investimentos, como o pagamento de direitos de emissões poluentes.

Por sua parte, o ministro austríaco responsável das relações com a UE, Gernot Blümel, mostrou-se contrário a que o seu país aumente as contribuições a Bruxelas para compensar a saída do Reino Unido.

"Se a UE se torna menor, o orçamento não pode ser maior", argumentou Blümel, que pediu às autoridades comunitárias que assumam que há "potencial de poupança" nas contas do grupo.

Assim, o ministro apostou por uma União Europeia que seja "menos, mas mais eficiente", e se concentre num menor número de questões, mas mais importantes.