EFELisboa

"Indústria, Arte e Letras, 250 Anos da Imprensa Nacional" é o título de uma exposição que percorre a história desta instituição pública de Portugal, que nasceu com a missão de imprimir "livros e cartas" nos tempos dos reis e que hoje se junta à revolução digital.

Nascida como "Imprensa Real" em 1769, durante o reinado de José I, sobreviveu à queda da monarquia, à revolução industrial, à ditadura e aos desafios das novas tecnologias, como explica à Efe o diretor de edições e cultura da instituição, Duarte Azinheira.

Livros, cartazes, máquinas industriais e fotografias ilustram a sua trajetória na exposição aberta no Museu de História de Lisboa.

Fundada com o objetivo de imprimir "livros e cartas", o Marquês de Pombal, impulsor da reconstrução da cidade após o terremoto que destroçou a capital lusa, transformou a Imprensa Nacional e adaptou-a ao seu modelo de política cultural.

A instituição encarregou-se de proporcionar máquinas de impressão a todo o país para evitar a importação de tipografias estrangeiras, estabeleceu um marco para a atividade jornalística a princípios do século XIX, modernizou escritórios e contribuiu para multiplicar o número de jornais impressos.

De fato, a sua sede em Lisboa foi, em 1903, um dos primeiros edifícios "em todo o país" em contar com eletricidade, aponta a historiadora Inês Queirós, para facilitar o trabalho dos jornalistas que utilizavam as suas instalações, que redigiam as notícias ao final da tarde à luz de lâmpadas de óleo e de gás.

Até princípios do século XX ocupou-se também da fundição de tipos (letras) que vendia a outras imprensas do país, acrescenta Queirós.

Com a Primeira República (1910-1926), reforçou o seu papel político, social e cultural numa época marcada pela primeira guerra mundial e uma figura nacional de relevância: Luís Derouet, que lutou por promover a instituição em "exposições e conferências internacionais", relata a investigadora.

Derouet, no entanto, teve um triste final: foi baleado por um tipógrafo que tinha ficado sem emprego.

A exposição presta também homenagem aos jornalistas presos durante a ditadura de Salazar, como Berta Fonseca do Carmo Carvalho -a única mulher que integra a lista-, que, após ser libertada depois da Revolução dos Cravos de 1974, doou o seu primeiro salário à instituição, lembra Queiros.

Unida já à Casa da Moeda, em 1972, intensificou a sua participação na vida dos portugueses com a impressão de passaportes, bilhetes de identidade, diplomas oficiais e até os livros de reivindicações.

Na exposição há também dezenas de títulos indispensáveis para a cultura lusa e livros "difíceis de rentabilizar" para imprensas privadas.

O seu desafio é agora avançar na revolução digital e adaptar-se às novas necessidades do país. Para começar, com a versão online do tradicional "Diário da República", que recolhe cada mudança legislativa.