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Cerca de 2,4 milhões de crianças menores de cinco anos, quase metade de todos os menores desta faixa etária no Iémen, estão em risco de desnutrição devido à escassez de fundos para a ajuda humanitária em plena pandemia, alertou a UNICEF esta sexta-feira.

A UNICEF disse em comunicado que, nos próximos seis meses, cerca de 30.000 crianças com menos de cinco anos poderão sofrer desnutrição aguda grade e "potencialmente mortal", o que elevaria o número a 2,4 milhões, um aumento de quase 20%.

A organização indicou que depois de mais de cinco anos de guerra, "à medida que o devastado sistema de saúde e infraestrutura do Iémen luta para fazer frente ao coronavírus, é provável que a já grave situação para as crianças de deteriore consideravelmente".

Como tal, apontou que o sistema de saúde do Iémen está "mais próximo do colapso" pois apenas "metade" das instalações estão operativas e há uma "grande escassez" de medicamentos, equipamentos e pessoal médico.

"Se não recebermos fundos urgentemente, as crianças serão empurradas para a beira da fome e muitas irão morrer. A comunidade internacional vai enviar uma mensagem de que a vida das crianças numa nação devastada por conflito, doença e colapso económico simplesmente não importa", disse em comunicado a representante da UNICEF no Iémen, Sara Beysolow Nyanti.

A UNICEF pede 461 milhões de dólares para os seus programas humanitários no país árabe, com 53 milhões de dólares adicionais apenas para a resposta à emergência sanitária do coronavírus.

A organização lamentou que, até ao momento, apenas receberam 10% do dinheiro necessário para fazer frente à COVID-19 e 39% do necessário para a resposta humanitária no país.

De acordo com um relatório da UNICEF, 9,58 milhões de crianças iemenitas não têm acesso suficiente a água potável, saneamento ou higiene, o que a agência da ONU diz estar "a alimentar a propagação da COVID-19" no país.

O Iémen registou 1.019 casos de coronavírus e 275 mortes, um número que a Organização Mundial de Saúde adverte que pode ser superior.

Além disso, de acordo com a UNICEF, 7,8 milhões de crianças não têm acesso a educação e cerca de 3.487, algumas delas com menos de 10 anos de idade, foram "recrutadas e utilizadas pelas forças armadas e grupos nos últimos cinco anos", de acordo com dados das Nações Unidas.

Ainda segundo dados da ONU, mesmo antes da chegada da doença, mais de 80% dos cerca de 28 milhões de iemenitas precisavam de ajuda humanitária para satisfazer algumas das suas necessidades básicas.