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A vacina contra a covid-19 produzida pela parceria entre a Pfizer e a BioNtech oferece mais de 95% de proteção contra infeção, hospitalização e morte pela doença, de acordo com um estudo publicado esta quinta-feira pela revista "The Lancet".

O estudo foi feito com base em dados da campanha de vacinação de Israel, que usou apenas a vacina da farmacêutica americana, recolhidos entre 24 de janeiro e 3 de abril de 2021. A investigação é fundamental no curso da pandemia do coronavírus, pois a eficácia foi analisada pela primeira vez em todo um país com informações populacionais.

Segundo o levantamento, a dose dupla da vacina da Pfizer provou ser altamente eficaz em todas as faixas etárias na prevenção da transmissão sintomática e assintomática do vírus SARS-CoV-2, bem como de internamentos e mortes causadas pela doença.

EFICAZ EM TODAS AS FAIXAS ETÁRIAS

Segundo o estudo, a proteção contra o coronavírus é tão forte entre os mais velhos quanto entre os adultos mais jovens. As análises apontam que a vacina da farmacêutica americnaa entre aqueles com mais de 85 anos protege-os 94,1% da infeção, 96,9% da hospitalização e 97% da morte por covid. Enquanto isso, adultos de 16 a 44 anos imunizados preveniram a infeção em 96,1% dos casos e a morte em 100%.

A vacina da Pfizer e da BioNtech, chamada BNT162b2, foi licenciada para uso em 6,5 milhões de pessoas em Israel em dezembro de 2020, de acordo com resultados de laboratório entre aqueles com 16 anos ou mais, e numa época em que a estirpe dominante era a britânica (B117).

Mais de um ano após o começo da pandemia, o coronavírus já causou mais de 131 milhões de contágios e mais de 2,8 milhões de mortes no mundo inteiro, conforme dados do início de abril deste ano.

Israel registou 232.268 casos, 7.694 hospitalizações e 1.113 mortes por covid-19 durante o período de análise refletido no estudo. No dia da conclusão do levantamento, 3 de abril, 72,1% da população israelita tinha já recebido pelo menos uma das duas doses da vacina, tornando o país aquele com a maior proporção de população imunizada em todo o mundo.

"(O estudo) é uma oportunidade única e real para determinar a eficácia da vacina e observar os amplos efeitos da campanha de vacinação sobre a saúde pública", considerou a principal autora do relatório e membro do Ministério da Saúde, Sharon Alroy-Preis.

Entretanto, os autores da investigação advertem que os dados não devem ser generalizados. Os responsáveis ressaltaram que é importante levar em conta as diferenças existentes nas campanhas de vacinação entre países, bem como a evolução da pandemia e o surgimento de novas estirpes no futuro, o que pode causar variações percentuais na eficácia.

O consultor médico do Departamento de Vacinas da Pfizer nos Estados Unidos, Luis Jodar, afirmou que é urgentemente necessário obter mais dados sobre a vacina da Pfizer-BioNTech contra infeções graves e mortes. Segundo ele, isso será vital para enfrentar a pandemia.