EFELa Palma (Espanha)

A boa literatura "defende-nos da demagogia e do nacionalismo", disse na noite desta terça-feira o prémio Nobel da Literatura Mario Vargas Llosa durante a inauguração da segunda edição do Festival Hispano-americano de Escritores.

O escritor defendeu o espanhol como língua literária e considerou que as sociedades livres são só as cultas, acrescentando que só a grande literatura é capaz de desenvolver em "nós o espírito crítico", informou a organização do festival.

Mario Vargas Llosa afirmou que esse espírito crítico é necessário nuns dias "em que estão a acontecer grandes retrocessos não só nos países mais desfavorecidos mas também nos ricos, onde a demagogia e o nacionalismo estão a triunfar", para concluir que "a boa literatura defende-nos de tudo isso".

No seu discurso, o escritor centrou-se no espanhol como língua, à qual descreveu como "uma das grandes contribuições" de Espanha a uma América que antes da chegada dos primeiros europeus falava à volta dos 1.500 a 2.000 dialetos.

"Uma extraordinária diversidade que o espanhol unificou, um fato do qual nos devemos sentir orgulhosos", disse Mario Vargas Llosa, que acrescentou que "foram os povos onde se fala espanhol que tornaram possível que seja uma língua tão viva e literária".