EFELisboa

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu esta terça-feira em Lisboa que se explore ao máximo as possibilidades oferecidas pelo plano de recuperação para a União Europeia, com 750.000 milhões de euros dirigido a ajudas aos vinte sete entre 2021 e 2023.

"Temos um plano, um guião e o investimento. Conexões ferroviárias de alta velocidade, renovações…", enumerou durante o seu discurso num evento junto ao primeiro-ministro de Portugal, António Costa, na Fundação Champalimaud de Lisboa.

A presidente comunitária deu vários exemplos, como o isolamento de edifícios, um dos elementos que mais emissões poluentes geram, como uma das muitas possibilidades.

"Renová-los, torná-los mais eficientes. Mobilidade limpa, o que vos ocorrer", continuou.

"A minha mensagem é: usem (os recursos do fundo). Dá-nos uma oportunidade não só de recuperar-nos mas também de moldar uma melhor forma de viver para todos", acrescentou.

Von der Leyen dedicou grande parte dos seus 20 minutos de discurso a elogiar Portugal, país que disse estar "na linha da frente" no que refere às grandes ambições europeias para a próxima geração: transição ecológica, digitalização e renovação.

Com o plano de recuperação cabe agora responder a necessidades derivadas da pandemia, como "proteger e modernizar" o mercado único.

"Enquanto fazemos isto temos que pressionar rumo uma economia verde, justa e resiliente" e "dar aos jovens uma perspetiva de futuro", e apostar pelo investimento em âmbitos como a inteligência artificial e o 5G.

Muitas opções para as quais o fundo pode ajudar para que os países deixem o coronavírus para trás com uma força agregada.

"A Comissão está pronta para apoiar estes esforços em cada forma que possa", prometeu.

Depois da sua intervenção tomou a palavra o primeiro-ministro de Portugal, que expôs algumas das principais linhas do plano de recuperação que irá apresentar a Bruxelas.

"O passo que foi dado pela Comissão foi histórico, e agora cabe-nos a enorme responsabilidade de usar esta oportunidade para sobre tudo sairmos mais forte do que estávamos quando a crise começou", afirmou Costa.

O primeiro-ministro recordou que o país tem "uma dívida pública muito elevada" e que além de ultrapassar a crise sendo "mais fortes, mais modernos, mais verdes", devem também fazê-lo "mais sólidos desde o ponto de vista financeiro".

Esse plano haverá um lugar destacado para os territórios fronteiriços com Espanha, que são "as regiões menos desenvolvidas entre ambos países", algo que se vai procurar resolver com uma estratégia específica que ficará pronta na próxima cimeira ibérica, programada inicialmente para 2 de outubro e entretanto adiada.

Von der Leyen conclui hoje a sua visita oficial a Portugal, que se completa com um almoço com o presidente do país, Marcelo Rebelo de Sousa, e a participação numa reunião do Conselho de Estado.