EFEBruxelas

A presidente da Comissão Europeia (CE), Ursula von der Leyen, incentivou todos os países, numa entrevista com a Agência Efe, a seguirem o "caminho" traçado pela União Europeia (UE) e que apresentem um guião "claro" sobre como alcançar objetivos "ambiciosos" contra as alterações climáticas.

Com o Pacto Verde Europeu e a sua primeira lei sobre o clima, a Europa "mostra o caminho", e é precisamente esse o "espírito" com o qual a UE vai participar este outono na conferência das Nações Unidas sobre o clima, a COP-26, na cidade escocesa de Glasgow, avançou Von der Leyen.

Nessa linha, encorajou "todos os outros países, a maioria com objetivos ambiciosos já definidos, a que apresentem também um guião claro sobre como os alcançar".

ENFRENTAR A REALIDADE

"Temos de enfrentar a realidade. O custo de não atuar contra o aquecimento global está a aumentar dramaticamente em todo o lado: chuvas fortes e inundações na Bélgica e Alemanha, temperaturas mortais no Canadá, fusão do permafrost na Sibéria, seca e poços esgotados em Espanha", advertiu Von der Leyen.

O mundo "acordou" para a "realidade" das alterações climáticas, disse a política alemã na entrevista por escrito sobre o pacote legislativo, batizado como "Objetivo 55", que apresentou antes da pausa de verão e que estabelece o guião para a UE reduzir as suas emissões de CO2 em pelo menos 55% até 2030 a respeito de 1990, a fim de alcançar a neutralidade climática em 2050.

Este consiste numa dúzia de iniciativas legislativas com "objetivos climáticos ambiciosos" e ações concretas no transporte, energia, mercado de emissões de carbono ou a biodiversidade, com as quais Bruxelas pretende transformar a crise climática numa oportunidade para crescer de uma forma mais sustentável, uma vez que para Von der Leyen "o maior desafio da nossa geração é, de longe, a luta global contra as alterações climáticas".

"Com o Pacto Verde Europeu e as leis agora apresentadas, a Europa é a primeira região do mundo a mostrar concretamente como e em que fases pretende travar o aquecimento global. Se invertermos juntos esta tendência, iremos estabelecer um marco histórico para todas aquelas pessoas que desempenham alguma responsabilidade política na Europa", salientou a presidente da Comissão.

As propostas têm agora de ser negociadas com os Estados.membros, representados no Conselho, e com o Parlamento Europeu, em debates que a política alemã aguarda com "interesse", apelando à "responsabilidade" de todos para agir "sem demora".

Bruxelas nunca escondeu o facto de que esta será uma transição profunda e dura, com grandes mudanças estruturais em muito pouco tempo, mas Von der Leyen salientou que "estão a ser investidos milhares de milhões na criatividade e capacidade de inovação das empresas, que podem gerar um milhão de empregos verdes na UE até 2030 e dois milhões até 2050".

TAXAÇÃO DO CARBONO

Para Von der Leyen, a redução das emissões passa por "fixar um preço para o carbono" e "deve ser suficientemente elevado para proporcionar incentivos ao investimento".

"A taxação do carbono funciona", como demonstra, disse, o regime de comércio de direitos de emissão, que "contribuiu para reduções significativas de emissões na indústria pesada e na produção de energia".

Com a mesma filosofia, o estabelecimento de um segundo regime de comércio de direitos de emissão para o transporte rodoviário e construção,, agora isentos, parece para Von der Leyen ser "necessário para recompensar as indústrias europeias que investem em soluções inovadoras e limpas".

A alemã recorda que os edifícios são responsáveis por 40% do consumo de energia da UE e o transporte é o único setor em que as emissões têm continuado a crescer desde 1990, dizendo que "já não podemos permitir" estes números.

No entanto, para que a transição seja "justa" e o transporte e a energia continuem a ser "acessíveis a todos", Bruxelas prevê que o Fundo Social para o Clima, com 72.000 milhões de euros, entre em vigor "um ano antes" para ajudar as pessoas com rendimentos mais baixos a financiar a utilização de tecnologias limpas.

PASSOS NO CAMINHO CORRETO

"A antiga economia, que considera aceitáveis as emissões massivas de gases de efeito de estufa, chegou aos seus limites", explicou Von der Leyen, que constatou que "ultimamente" se avançou "muito" a favor da luta contra as alterações climáticas, especialmente com a mudança de inquilino na Casa Branca.

"Há um ano ainda tínhamos uma Administração americana que nada queria fazer a favor da proteção do clima, e agora os Estados Unidos voltam a estar connosco", felicitou a alemã.

A presidente da CE destacou que nos últimos meses "muitos grandes países industrializados se comprometeram a alcançar a neutralidade climática, chegando inclusivamente a fixar datas concretas para esse objetivo", enquanto "empresas de fama mundial anunciaram milhares de milhões de investimentos para que a sua produção e os seus produtos sejam respeitosos com o clima".

"São passos no caminho correto, mas, claro, devemos continuar a insistir com determinação", concluiu Von der Leyen.

Por Catalina Guerrero