EFEKiev

O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseniy Yatsenyuk, anunciou neste domingo a renúncia ao cargo após dois meses de pressão dos integrantes da coligação para que abandonasse a liderança do governo.

"Tomei a decisão de renunciar", anunciou Yatseniuk no programa "Dez minutos com o primeiro-ministro", transmitido por vários canais da televisão ucraniana.

Após resistir à renúncia por dois meses, com pressões inclusive ao presidente do país, Petro Poroshenko, para que o destituísse, Yatseniuk defendeu hoje que as forças europeístas criem uma nova coligação e formem sem demora um novo governo, ao qual garantiu que a sua Frente Nacional apoiará.

"Há uma coisa que não se pode permitir: a desestabilização do poder Executivo em tempos de guerra. E essa perspectiva será inevitável, pois após a renúncia não se elege imediatamente um novo governo", ressaltou.

A decisão parecia inevitável após uma onda de críticas e pressão por parte de todos os membros da coligação parlamentar que apoiava o seu governo, incluindo o próprio presidente da Ucrânia e da formação política que leva o seu nome.

O partido Bloco Petro Poroshenko foi o último a abandonar a coligação parlamentar para forçar a renúncia de Yatseniuk. Antes, depois de Yatseniuk superar em fevereiro uma moção de censura com quase metade dos deputados ausentes da Rada Suprema, a coligação foi abandonada pelos partidos Autoajuda e Batkivshina, da ex-primeira ministra Yulia Tymoshenko.

A maioria dos deputados acusam o agora ex-primeiro-ministro de ter sido incapaz de combater a corrupção e de introduzir as reformas estruturais cobradas pela comunidade internacional.

A incapacidade de formar uma nova coligação de governo impediu que o país implantasse as reformas e adotasse as medidas anticorrupção pedidas insistentemente pelo Ocidente, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) ao conceder novos créditos a Kiev.