EFEBruxelas

Quase oito em cada dez europeus questionados (77%) quer que os fundos da UE sejam condicionados ao respeito do Estado de direito e valores democráticos por parte dos Governos nacionais, segundo uma sondagem divulgada esta terça-feira pelo Parlamento Europeu.

Pelo menos sete em cada dez pessoas consultadas concordam com esta abordagem, de acordo com a sondagem feita em outubro pela consultora e analista de dados Kantar.

Apenas 12% não está de acordo com esta condição, enquanto o 11% restante não sabe ou não responde.

Além disso, a maioria dos inquiridos (54%) disse que a UE devia ter um orçamento maior para superar a crise causada pela pandemia de coronavírus.

Em vinte países, a maioria concorda com esta afirmação; em catorze, mais de metade dos inquiridos apela a um aumento do orçamento comum.

No que toca ao destino dos fundos adicionais, mais de metade (54%) respondeu que a saúde pública deve ser uma prioridade, seguida da recuperação económica e de novas oportunidades para as empresas (52%).

As alterações climáticas e a proteção ambiental (37%), e o emprego e os assuntos sociais (35%) completam a lista.

A nível europeu, as alterações climáticas e o ambiente ultrapassaram o emprego como terceira prioridade de gasto, mudando de posição em relação ao inquérito de junho.

A saúde é a principal prioridade de gasto dos inquiridos em 18 países, enquanto uma grande maioria dos cidadãos receia um impacto direto nas suas finanças pessoais ou já está a sofrer com uma: 39% dos inquiridos diz que a crise de covid-19 reduziu os seus rendimentos, e outro 27% prevê que tal aconteça no futuro.

Apenas 27% não acredita que a pandemia irá afetar os seus rendimentos.

Em vinte Estados membros, a maioria confessa que a crise teve um impacto económico pessoal.

Os cidadãos continuam a ver a UE como parte da solução para a crise, já que dois terços (66%) concordam que a UE devia ter mais poderes para lidar com crises como a atual pandemia. Apenas um quarto dos europeus (25%) discorda desta afirmação.

Esta sondagem é publicada no mesmo dia que se retoma o diálogo institucional entre o Parlamento, a Comissão e o Conselho sobre a nova condicionalidade do Estado de direito para a distribuição de fundos na UE.

Após sete semanas de conversações, os principais pontos controversos são o mecanismo para condicionar o desembolso de fundos ao respeito pelo Estado de direito e o aumento do orçamento comunitário solicitado pelo Parlamento.

A entrada em vigor do orçamento da União Europeia para 2021-2027 e do Fundo de Recuperação da pandemia poderá ser adiada para além de janeiro de 2021 se o impasse nas negociações entre os países e o Parlamento persistir.

O Parlamento Europeu pede um aumento de 39.000 milhões de euros para o período 2021-2027, mas a presidência do Conselho, exercida neste semestre pela Alemanha, estima que sob o sistema proposto pelo Parlamento, o aumento seria na realizado de 90.000 milhões, um número inaceitável para os Estados.

As negociações deverão conduzir a um acordo para implementar o plano de recuperação acordado em julho pelos 27 Estados membros, que em várias partes precisa da aprovação do Parlamento Europeu.

Para que isto aconteça, é também essencial que os parlamentos nacionais ratifiquem a legislação que permita a emissão de dívida para o financiar, um longo processo que vários países se recusam a fazer até haver um acordo global sobre todos os elementos do pacote.

(Mais informação sobre a União Europeia em euroefe.euractiv.es)