EFEXangai (China)

As ações da endividada gigante chinesa do imobiliário Evergrande cotadas em Hong Kong caíram esta segunda-feira ao seu mínimo histórico depois da companhia ter anunciado que é possível que não possa fazer frente a toda a sua dívida e que negociará um plano de reestruturação com os seus credores 'offshore'.

Os títulos da Evergrande perderam 19,6% na primeira sessão da semana, o que se traduz também num desabe acumulado de 87,2% ao longo deste ano.

Cada participação cota agora a 1,81 dólares de Hong Kong (0,21 euros), praticamente metade do preço inicial das suas ações quando entrou neste mercado, em 2009.

O anúncio também representou um balde de água fria para os investidores, pois esta segunda é também a data limite das extensões para pagar um total de 82,5 milhões de dólares em conceito de juros de dois pacotes de obrigações 'offshore', um com vencimento em novembro de 2022 e outro um ano depois.

A Evergrande devia ter pago essas quantias no passado 6 de novembro, mas as cláusulas das suas obrigações incluem uma extensão de 30 dias naturais depois da data de pagamento antes de poder ser considerado pagamento em atraso.

O site de notícias económicas Caixin apontou que a falta de pagamento poderá gerar uma situação de 'cross-default' ("insolvência cruzada"), na qual o incumprimento com um só credor basta para que outros possam exigir a devolução dos seus empréstimos.

Esse meio recordou que a dívida 'offshore' da Evergrande é de mais de 19.000 milhões de dólares, quantidade relativamente pequena em comparação com o passivo total do grupo, superior a 300.000 milhões de dólares, ainda que segundo as autoridades chinesas só um terço dessa quantidade corresponda a obrigações financeiras.

Depois de semanas de verdadeira calma nas quais o conglomerado foi esquivando a falta de pagamento ao cair do pano em várias ocasiões, na noite de sexta-feira os alarmes voltaram a soar depois de um comunicado no qual a Evergrande avançava a possível falta de pagamento de 260 milhões de dólares de um aval.

O grupo revelou que tinha recebido um pedido para enfrentar o referido pagamento num momento em que "não há nenhuma garantia" de que disponha de fundos suficientes para cumprir com as suas obrigações financeiras face à sua crise de liquidez, causada em parte pelas restrições impostas por Pequim ao acesso ao financiamento bancário para as promotoras mais endividadas.

No mesmo documento, o grupo anunciou a sua intenção de negociar com os seus credores um plano "viável" para a reestruturação da sua dívida 'offshore'.

Nos minutos seguintes à publicação do comunicado, as autoridades chinesas reagiram em cadeia: primeiro, as autoridades da província de Cantão, onde a companhia tem a sua sede, anunciaram que irão destinar um "grupo de trabalho" à Evergrande para "resolver os seus riscos de forma eficaz".

Depois disso, o Banco Popular da China (BPC, central) e os reguladores de bancos e seguradoras e do mercado de valores lançaram mensagens de calma e garantiram que o risco de contágio da crise de Evergrande para outras companhias do setor é "controlável" e que "não terá um impacto negativo" no sistema financeiro do país.

O BPC também aproveitou para reiterar que a sua prioridade é "proteger os direitos legítimos dos compradores de habitações" e culpar a Evergrande de gerar os seus próprios problemas devido ao que descreveu como "má gestão e expansão desenfreada".