EFETóquio

Os advogados de defesa de Carlos Ghosn reiteraram esta terça-feira a inocência do seu cliente e voltaram a criticar o que chamaram de "sistema de reféns da justiça" do Japão.

A declaração marca um ano desde que Ghosn foi detido no aeroporto internacional de Tóquio, no início de um processo que colocou o franco-brasileiro atrás das grades. O empresário está atualmente em liberdade sob pagamento de fiança.

Ghosn, de 65 anos, que chegou a ser presidente da Nissan, da Renault e da Mitsubishi, está a ser investigado por supostos crimes financeiros e por trair a confiança da empresa. A expectativa é que o julgamento comece em abril do ano que vem.

A equipa jurídica que o defende afirmou esta terça-feira que Ghosn continua determinado a provar a inocência e a "enfrentar firmemente as acusações".

Os advogados lembraram que o empresário está em prisão preventiva há 129 dias e que as condições de fiança impostas foram "desumanas e irracionais" porque, entre outras limitações, proíbem o contacto com a sua esposa.

Carole Ghosn pode estar vinculada às operações irregulares das quais o marido é acusado, através de uma empresa proprietária de um iate na qual ela figura como presidente, segundo disseram fontes da justiça à imprensa japonesa. A esposa, de nacionalidade americana e libanesa, nega os fatos, recusando também as acusações feitas contra o marido.

A equipa da defesa de Ghosn acusa a justiça de Tóquio de passar informações à imprensa, de criar uma "imagem injusta" do empresário e de "esconder provas" aos advogados.

"Ele está à espera da oportunidade de esclarecer as coisas e se reunir com a família", acrescenta a declaração.

Carlos Ghosn enfrenta quatro processos, dois por supostamente ocultar remunerações pactuadas com a Nissan e outros dois por suposto abuso agravado de confiança da empresa e por desviar fundos da Nissan para assuntos pessoais.