EFELisboa

África vê a economia azul como uma oportunidade de emprego e de aumento de rendimentos para os jovens, que constituem uma grande parte da população de um continente que até agora não conseguiu aproveitar o potencial dos seus recursos marinhos.

Esta é a mensagem deixada esta terça-feira pelo grupo de Estados africanos na Conferência dos Oceanos da ONU, que se realiza em Lisboa, onde apelou ao apoio do desenvolvimento sustentável da economia azul de África, para "não deixar ninguém para trás".

"Um marco de desenvolvimento azul poderia proporcionar trabalho decente aos jovens, permitindo-lhes aumentar os seus rendimentos e aprofundar o seu potencial económico", disse o Ministro da Agricultura, Pescas Marítimas, Desenvolvimento Rural, Água e Florestas de Marrocos, Mohammed Sadiki, que falou no plenário em nome dos Estados africanos.

De acordo com os seus números, a idade média no continente é de 35 anos: 60% da população tem menos de 25 anos e mais de um terço tem entre 20 e 34 anos.

A proporção da população ativa no continente "permite-lhe aumentar o seu potencial produtivo", ressaltou Sadiki, que considerou que "os recursos marítimos naturais de África não foram tocados".

"África está determinada a aproveitar o grande potencial da área marítima e a acelerar a transformação económica", disse o ministro marroquino, que salientou que são necessárias parcerias "inovadoras", incluindo parcerias público-privadas e "em todas as dimensões da economia azul".

Disse também que a conservação da biodiversidade "reforça" as atividades de pesca.

"A sobrepesca causada por práticas excessivas é uma ameaça, daí a necessidade de conservar espécies ameaçadas e de alto valor, das quais milhões de pessoas dependem para a sua sobrevivência", afirmou.

No caso de Marrocos, os seus 3.500 quilómetros de costa no Atlântico e no Mediterrâneo fazem dele um "país marítimo por excelência", disse o ministro, que assegurou estar "empenhado junto da comunidade internacional para enfrentar o desafio".

"Temos de agir sem demora, com consciência e força", instou, e apelou à "solidariedade e cooperação" para o conseguir.

"Todos os dias que passam sem ação para a proteção coletiva dos oceanos, o inestimável potencial de crescimento económico e desenvolvimento social e estrutural nos espaços marítimos é posto em perigo, e a sobrevivência da humanidade é prejudicada", disse.