EFEWashington

A gigante tecnológica Apple processou esta terça-feira a empresa de software israelita NSO Group, acusando-a de ter violado leis americanas com a venda de um programa chamado Pegasus com o qual supostamente acedia de maneira ilegal aos seus telemóveis iPhone.

No processo, interposto no tribunal do distrito norte da Califórnia, a Apple descreveu a NSO Group como "mercenários imorais do século XXI" e considerou que o programa Pegasus é uma "maquinaria de cibervigilância altamente sofisticada que convida ao abuso rotineiro e flagrante".

Esses ataques afetaram um "número pequeno de utilizadores em todo o mundo", indicou a Apple num comunicado publicado no seu site.

Segundo o prestigioso laboratório da Universidade de Toronto (Canadá) Citizen Lab, a empresa de software israelita NSO Group está desde fevereiro a infetar telemóveis iPhone e outros dispositivos da Apple através do aproveitamento de uma falha de segurança que permitia instalar programas de espionagem.

O software espião instala-se através do programa de mensagens instantâneas iMessage e afeta tanto o iOS (sistema operativo para telemóveis) como o MacOS (computadores) e WatchOS (relógios).

Explorando a vulnerabilidade do sistema, este "spyware" instala-se sem necessidade do utilizador realizar qualquer operação e afeta todas as versões dos sistemas operativos exceto uma emitida pela Apple em setembro para evitar mais incursões nos seus sistemas operacionais.

O Citizen Lab descobriu a vulnerabilidade do sistema e a sua exploração por parte da NSO Group ao descobrir que um iPhone de um ativista saudita tinha sido infectado com o software espião batizado de Pegasus.

O Pegasus permite ao autor da espionagem acesso às atividades do dispositivo infetado, bem como à câmara, microfone, fotografias, localização, mensagens de texto, emails e telefonemas sem que a vítima tenha qualquer constância disso.

A empresa israelita NSO Group dedica-se supostamente à cibersegurança, mas o seu software é usado por governos de todo mundo para conseguir acesso -em muitas ocasiões ilícito- a telefones e outros dispositivos de jornalistas, ativistas e inimigos políticos.

A princípios de novembro, o Departamento de Comércio dos EUA incluiu a NSO Group numa lista negra por atividades relacionadas com ciberespionagem, perante o qual a companhia assegurou se sentir "consternada", afirmando que as suas tecnologias "apoiam os interesses de segurança nacional" de Washington.