EFELisboa

O preço do pescado aumentou 25% ao nível mundial entre dezembro de 2021 e o passado abril, uma tendência que se estende a todo o sistema alimentar mas que é "muito preocupante" para a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

"Estamos muito preocupados com isto", admitiu o diretor de Pesca e Aquicultura da FAO, Manuel Barange, durante a apresentação do relatório SOFIA 2022 da organização na Conferência dos Oceanos da ONU que se realiza em Lisboa.

Este aumento do preço do pescado não é "invulgar", já que está a afetar todo o sistema alimentar, mas a FAO reconheceu que coloca "pressão sobre os consumidores em todo o mundo".

"É muito importante para nós não só produzir de forma sustentável e equitativa, mas também de forma acessível", disse Barange, que assinalou que três mil milhões de pessoas, quase metade da população mundial, não têm meios de ter uma dieta saudável.

E há provas claras de que a alimentação aquática é uma parte importante de uma dieta saudável, pelo que é necessário "garantir que a produção seja acessível a todos".

Isto requer o desenvolvimento da aquicultura a um custo "menor", com necessidades de produção "menos intensivas", disse o responsável da FAO, que descartou que preços mais elevados possam levar a uma maior sobrepesca ou à pesca ilegal.

"Se a gestão é boa, não exerce pressão sobre os recursos", disse.

Barange ofereceu exemplos: nos EUA, 92% das populações estão sob gestão sustentável; na Nova Zelândia e Austrália, 85% e 86% respetivamente.

"Mesmo aqui, em Portugal e na costa norte de Espanha", 86% estão sob gestão sustentável, acrescentou.

"Temos de garantir que gerimos os recursos de forma sustentável, e depois os efeitos externos não terão importância", enfatizou.

O relatório SOFIA 2022 apresentado esta quarta-feira sublinha que o crescimento da aquicultura levou a produção pesqueira e aquícola a níveis recorde, pelo que é cada vez mais crucial para garantir a segurança alimentar e acabar com a fome no mundo.