EFEBruxelas

O presidente do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu (BCE), Andrea Enria, propôs esta terça-feira a criação de uma rede de sociedades de gestão de ativos na União Europeia (UE), os chamados "bancos maus", para absorver o aumento dos créditos malparados previsto como consequência da pandemia.

"Uma iniciativa europeia, por exemplo, para ligar numa rede sociedades de gestão de ativos nacionais, através de mecanismos comuns de financiamento e harmonização de preços, poderia ser um instrumento útil para fazer face ao aumento esperado de empréstimos malparados e assegurar a igualdade de condições no seio da união bancária", afirmou.

Enria fez esta observação durante uma comparência perante a Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, onde reiterou uma ideia que também expressou num artigo do jornal Financial Times.

O economista italiano disse aos eurodeputados que as companhias de gestão de ativos, "se estão bem desenhadas, geralmente não produzem perdas para o contribuinte e podem permitir ao sector bancário limpar a sua balança de modo muito mais rápido".

No entanto, admitiu que a questão de um "banco mau" europeu é "controversa" devido ao receio de alguns Estados membros de mutualizar as perdas entre os diferentes parceiros comunitários.

"Gostaria de reiterar que podemos conceber esta iniciativa também sem mutualização, se esta for a preferência política", comentou.

Em qualquer caso, insistiu que as empresas de gestão de ativos provaram ser "instrumentos eficazes para facilitar a gestão e a cobrança" de créditos duvidosos.