EFEFrankfurt (Alemanha)

O Banco Central Europeu (BCE) observa que as horas trabalhadas por empregado diminuíram durante a pandemia de covid-19 e que não é claro o que irá acontecer quando esta terminar.

Num artigo do seu mais recente relatório económico, publicado esta segunda-feira, o BCE explica os factores por detrás do declínio do número de horas trabalhadas por empregado nos últimos 25 anos, tais como a tecnologia, o desenvolvimento dos serviços e a entrada das mulheres no mercado laboral, pois em muitos países trabalham habitualmente a tempo parcial.

As horas de trabalho por empregado diminuíram durante a pandemia, especialmente nos setores que foram mais afetados pelas medidas de confinamento e distanciamento social.

"Na primeira metade de 2020, a média de horas trabalhadas diminuiu 14,3%. A queda foi muito maior em setores de contacto intensivo como o comércio, transportes e entretenimento", de acordo com os números do BCE.

Outros setores como os serviços financeiros foram menos afetados pelas medidas de distanciamento social porque têm menos contacto interpessoal e têm sido capazes de implementar mais o teletrabalho.

"Embora as horas trabalhadas por empregado tenham tido muita importância como margem de ajustamento durante a pandemia, continua a não ser claro se as horas trabalhadas irão recuperar a níveis anteriores à pandemia", alertam os economistas do BCE no relatório económico.

Por enquanto, a média das horas trabalhadas recuperou substancialmente dos mínimos registados no segundo trimestre de 2020, mas foram ainda 5% mais baixas no primeiro trimestre deste ano em comparação com o último trimestre de 2019.

Os setores do comércio e dos transportes e entretenimento continuam a ser os mais afectados pela pandemia, com as horas trabalhadas 11% mais baixas no primeiro trimestre deste ano do que no quarto trimestre de 2019.

Mas os expedientes de regulação temporária de emprego têm ajudado a preservar os postos de trabalho nestes setores, pois estas ajudas públicas ajudam a retomar rapidamente a atividade assim que as medidas de confinamento sejam levantadas.

O BCE considera que estas medidas de apoio ao emprego devem ser suficientemente flexíveis para serem ajustadas rapidamente quando a economia recuperar.

No entanto, acrescentam que é difícil prever o ritmo futuro nas horas trabalhadas por trabalhador, embora alguns fatores apontem para uma continuação da tendência descendente devido à crescente participação das mulheres no mercado de trabalho e dos trabalhadores com maior idade.

Uma maior percentagem de emprego no setor dos serviços, com taxas mais elevadas de emprego a tempo parcial, pode levar a menos horas trabalhadas em média, segundo o BCE.

No entanto, o aumento da qualificação dos trabalhadores pode também resultar num aumento das horas trabalhadas, pois os trabalhadores com um nível de educação mais elevado tendem a trabalhar mais horas.