EFEBruxelas

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos, pediu esta quarta-feira evitar "qualquer atraso ou adiamento desnecessário" da implementação do fundo de recuperação pós-pandemia da União Europeia que possa prejudicar o impacto positivo que a sua aprovação teve nos mercados.

Numa comparência perante a comissão de economia do Parlamento Europeu, de Guindos salientou as "vantagens" do fundo ao conceder não só empréstimos, mas também subvenções aos países, e centrar-se nos mais atingidos pela covid-19, destacando ainda que a sua mera adoção em 2020 produziu uma reação "positiva" nos mercados porque indicava um compromisso europeu para enfrentar a crise.

"Atrasos não são desejáveis. O tempo aperta", disse de Guindos, sublinhando que "há passos concretos que têm de ser dados agora", com a apresentação dos planos nacionais de recuperação e a sua avaliação pela Comissão Europeia, o que "leva tempo".

"Devemos tentar evitar qualquer atraso ou adiamento desnecessário, que poderá ter um impacto nos mercados e prejudicar a ideia muito positiva que foi conseguida quando o fundo foi aprovado", disse.

O vice-presidente do BCE respondeu a uma pergunta sobre um possível atraso do fundo porque até agora apenas 17 dos 27 países da UE ratificaram a legislação necessária para o financiar e na Alemanha o processo foi paralisado por um processo judicial no Tribunal Constitucional.

De Guindos disse que "apesar de alguns problemas potenciais a curto prazo", o principal objetivo do fundo, que financiará reformas e investimentos, é aumentar o potencial de crescimento a médio prazo.

"Neste sentido, devemos tentar desenvolver este programa tão eficiente e rapidamente quanto possível, mas tendo em conta que o objetivo final é melhorar o funcionamento da economia europeia a médio e longo prazo e aumentar a sua produtividade e competitividade", afirmou.

De Guindos salientou que os fundos "devem ser gastos de forma apropriada".

Os países devem enviar os seus planos nacionais de recuperação à Comissão o mais tardar até 30 de abril, após o qual esta dispõe de dois meses para os avaliar.

Bruxelas está confiante de que até ao final deste semestre todos os países ratificaram a legislação que lhe permitirá emitir dívida para a financiar e poder ir aos mercados no verão, mas o processo na Alemanha e a falta de ratificação noutros parlamentos poderão modificar estes prazos.

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