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O presidente eleito dos EUA, Joe Biden, afirmou esta quarta-feira que não vai retirar as tarifas aplicadas à China pelo atual presidente americano, Donald Trump, e não irá realizar "movimentos imediatos" até desenvolver uma estratégia com os parceiros asiátios e europeus, segundo uma entrevista concedida a Thomas Friedman, colunista do jornal "The New York Times".

Biden também disse que os EUA não negociarão novos acordos comerciais até que realizem "investimentos significativos" no país e nos seus trabalhadores.

"Vou garantir que lutaremos como nunca para investir primeiro nos Estados Unidos", acrescentou.

Sobre a guerra comercial, Biden disse que não vai retirar as tarifas de 25% sobre as exportações chinesas impostas por Trump nem o acordo do atual governo com Pequim para comprar 200.000 milhões de dólares em produtos e serviços americanos em troca de concessões, o que não está a ser honrado.

"A melhor estratégia com a China é aquela em que os nossos aliados -ou pelo menos aqueles que costumavam ser- estão na mesma página. Será uma prioridade nas primeiras semanas da minha presidência voltar à mesma página com os nossos aliados", comentou.

Biden disse que o foco está em "progredir contra as práticas abusivas da China", como roubo de propriedade intelectual, dumping, subsídios ilegais e transferência de tecnologia por empresas que se instalam no gigante asiático, segundo o democrata.

O presidente eleito parece ter ouvido as dezenas de milhões de americanos que apoiaram Trump em 2016 e disse que há muitos cidadãos "que se sentem esquecidos": "Acho que nos esquecemos deles", analisou.

"Acho que fiz uma coisa boa pelo país ao garantir que Donald Trump não será presidente por mais quatro anos", observou.

Biden disse que é vital aprovar um segundo pacote de estímulos porque "há mais de 10 milhões de pessoas que estão preocupadas com a forma como vão pagar a sua hipoteca", e muitas outras que não podem pagar o aluguer.

O democrata ainda defendeu um aumento dos impostos sobre rendimentos mais altos para equilibrar as contas e evitar que algumas das maiores empresas do país continuem sem pagar impostos.

Sobre o acordo nuclear com o Irão, estabelecido em 2015 e do qual Trump retirou os EUA, Biden disse que tem a intenção de devolver o país ao pacto.

"Em conversas com os nossos parceiros, vamos negociar novos acordos para fortalecer e estender ao longo do tempo as restrições nucleares ao Irão e o seu programa de mísseis", pontuou Biden.