EFESão Paulo

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, respondeu esta quarta-feira ao presidente norte-americano Donald Trump, após este ameaçar tributar o aço e o alumínio brasileiros, avisando que o seu Governo não está a "aumentar artificialmente o preço do dólar".

"Não queremos aqui aumentar artificialmente o preço do dólar, não estamos a aumentar artificialmente o preço do dólar", disse Bolsonaro à saída do Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente, em Brasília.

A declaração do presidente brasileiro acontece depois de Trump anunciar a sua decisão de restabelecer as tarifas sobre aço e alumínio do Brasil e da Argentina, argumentando que ambos países aplicaram "uma desvalorização massiva das suas moedas", o que prejudica os agricultores norte-americanos.

Em março de 2018, os EUA impuseram tarifas de 25% sobre as importações de aço provenientes de vários países e de 10% sobre o alumínio no âmbito da sua guerra comercial com a China, mas flexibilizou pouco depois as restrições impostas ao Brasil, que aceitou um acordo que estabelece tarifas de 10% sobre as vendas de alumínio e quotas para as suas vendas de aço.

O líder da extrema-direita brasileira, admirador confesso de Trump, com quem diz ter um relacionamento muito bom e um contato "bastante cordial", reiterou a sua confiança no presidente dos EUA e ressaltou que ainda não há uma decisão firme por parte americana.

"Não há deceção, porque a última palavra não foi dada (...) Não é por um amigo me falar mal numa situação que lhe vou virar as costas", acrescentou Bolsonaro.

De acordo com o presidente do Brasil, uma das razões para a forte depreciação do real brasileiro -que este ano caiu cerca de 8,5% até agora- tem sido a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China.

Bolsonaro já advertiu esta semana que a ameaça de Trump de impor tarifas sobre as importações de aço e alumínio não afeta a boa relação entre os dois países, que se intensificou desde a chegada ao poder do capitão da reserva do Exército.

O presidente descreveu o anúncio de Trump como uma estratégia política para as eleições presidenciais do próximo ano nos Estados Unidos e disse que as boas relações entre os dois países vão ultrapassar qualquer problema.